Ocupação Efêmera da FeliS e seus impactos no Centro Histórico. Espaço público e ocupação efêmera | Page 29

Segundo Ana Prado( 2007), os atores e processos que se relacionam com a transformação do espaço urbano, por meio da cultura, se identificam por dois movimentos simultâneos: de dentro para fora do lugar e de fora para dentro. O primeiro tem como preocupação promover a exportação dos valores estéticos e socioculturais constituídos no local. Enquanto que o segundo, busca a discussão e a implementação das mais recentes atividades que envolvem arte efêmera e as organizações dos artistas em coletivos de arte. A ideia do efêmero permitiu compreender o novo papel das artes e da cultura no espaço urbano, além de somar, ao entendimento da dinâmica urbana, um espaço para a vida coletiva e as relações humanas. Conforme Biase( 2006) eventos são capazes de constituir vínculos entre as pessoas:
A organização dos eventos [...] no espaço público do bairro, permite uma visibilidade que pode provocar numa aceitação do Outro, mesmo que somente durante o tempo do evento, mas que a longo prazo traz benefícios à coabitação em um território( BIASE, 2006, p. 111)
Dentro de um universo culturalmente vasto, o Brasil se destaca por apresentar diversas manifestações folclóricas, históricas, artístico-culturais que convidam as pessoas a ocuparem as ruas e os espaços das cidades. A utilização do viés da cultura é um atrativo para mostrar que é possível trazer as pessoas para perto / dentro dos espaços públicos e, desta forma, incentivar não apenas a apropriação como também desenvolver os sentimentos de pertencimento, de memória e identidade histórica. A partir disto, são desenvolvidos por meio da diversidade cultural a ideia de patrimônio histórico, que evoca dimensões de acontecimentos que merecem ser preservados, pois são significativas em coletividade 27. Rodrigues e Machado( 2010) afirmam que a preservação parte das diversidades culturais e da memória estabelecida em um determinado lugar, pois:
Não há preservação histórica sem pensar nessa condição de diversidade cultural; a preservação deve ter a capacidade de relacionar todos os aspectos culturais que formam um determinado local, e isso passa pelo compartilhamento da memória de diversas culturas. Tratar bem a memória não é somente vislumbrar uma peça antiga, mas é dar luz ao obscuro mundo da história perdida; é dar ao cidadão a chance de se identificar com o lugar onde mora; é tornar o seu povo muito mais politizado e comprometido, seguros de si e unidos por um propósito em comum.( RODRIGUES; MACHADO, 2010, p. 26)
27 Ver PAOLI, 1992, p. 1