Ocupação Efêmera da FeliS e seus impactos no Centro Histórico. Espaço público e ocupação efêmera | Page 30
Conforme Larissa Zarpelon (2013), as ações que envolvem a efemeridade
têm por objetivo, a partir da identificação das potencialidades da região, expandir a sua
vocação para o entorno. Por meio destas ações, é possível ser estabelecido uma forte
ligação com a recuperação concreta de edifícios e de espaços públicos e a recuperação
simbólica, que visa a reapropriação por parte dos moradores, ao ser passado
informações e despertado a sensação de pertencimento. De acordo com Glória da
Anunciação Alves (2010), os eventos desenvolvidos são de grande importância para
devolver ao cidadão, nem que seja por algumas horas, a sensação de pertencimento à
cidade e a sensação de fazer parte de sua história (apud Zarpelon, 2013, p.68). Raquel
Rolnik (2012) acredita que:
É esta dimensão que permite que o próprio espaço da cidade se
encarregue de contar sua história. A consciência dessa dimensão na
arquitetura levou a que hoje se fale muito em preservação de
memória coletiva [...] Trata-se de impedir que estes textos sejam
apagados. (ROLNIK, 2012, p.19)
Virginia Lisboa (2010) explica que a análise dos eventos efêmeros pode
ocorrer de diferentes formas, uma vez que ideias e destinações de públicos são pontos
de partida para a requalificação de um espaço, pois por meio da realização de diversas
ocupações, no qual serão atraídos públicos diferentes, é ampliado o uso e se garante um
espaço de sociabilidade diversificada, em que todos terão direito de se apropriar. Sendo,
de fato, o espaço do cidadão e não apenas de alguns grupos específicos. Isto se destaca
quando a frequência de eventos efêmeros torna-se constante nos espaços, assim como
afirma:
Embora a realização de um evento nos remeta à questão da
efemeridade do uso do espaço, ou seja, de uma ocorrência
momentânea, a constante realização de eventos em determinados
espaços urbanos os caracterizam enquanto espaços permanentes
para eventos, tanto por sua frequência como por sua singularidade.
(LISBOA, 2010, p.13)
As atividades efêmeras são geradoras de novas demandas e pela
concentração de possibilidades atrativas influenciando a alteração nos fluxos de
interesse. Em a "Natureza do Espaço", Milton Santos (2006) destaca que o espaço,
enquanto geográfico, pode ser visto como um conjunto de fixos e fluxos que