Ocupação Efêmera da FeliS e seus impactos no Centro Histórico. Espaço público e ocupação efêmera | Seite 28
que vem sofrendo com abandono ou não. A importância das relações e atividades
desenvolvidas está justamente no uso e na apropriação dos espaços pelas pessoas,
habitantes e responsáveis pela garantia de vida nas cidades. Para Larissa Zarpelon
(2013), a utilização do espaço público por uma ocupação efêmera funcionaria como um
instrumento do planejamento urbano, pois através dele torna-se possível estabelecer
elementos que convidem a permanência de pessoas por mais tempo nos espaços
públicos. Assim como, promover a compreensão de que tanto o desenho quanto o
comportamento humano são fatores para desenvolvimento e consolidação dos espaços
públicos. Além de considerar a inclusão do indivíduo como ator da cidade onde vive:
Neste sentido, o poder público possui em mãos instrumentos para
reverter esse quadro quando passa a incluir no planejamento urbano
os chamados recursos intangíveis - simbólico, humanos, culturais -
promovendo um encontro entre a cidade e os anseios de seus
cidadãos. (ZARPELON, 2013, p.11).
A arquitetura efêmera quando somada com as atividades culturais, teatrais e
literárias assume um novo potencial, pois além de trazer novas percepções construtivas
garante que, quando instalada em um espaço público, seja estabelecida uma relação
física entre cidadãos e cidade. Luciana Büttner (2012) considera que arquitetura efêmera
pode se fortalecer no que diz respeito à cidade, causar impactos e influenciar o
imaginário. Cardoso (2005) apud Büttner (2012) afirma que:
A arquitetura e o espetáculo cênico entram aqui como ferramenta,
para possibilitar processos de revitalização e reanimação na cidade,
no sentido de dar novo ânimo ao espaço público, de revigorar o
cotidiano. (CARDOSO, 2005 apud BÜTTNER, 2012, p.11).
Para o filósofo italiano Carlo Diano, "Não há evento sem ator"
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e desta
afirmação três pontos são derivados: o ator, o lugar e o tempo único. É por meio da
relação entre estes pontos que se consegue alcançar a interação entre os homens e a
requalificação de um espaço. Diano (1994) afirma que "os eventos dissolvem as coisas,
eles dissolvem as identidades, propondo-nos outras, mostrando que não são fixas" (apud
SANTOS, 2002, p.147). Sendo, portanto, estabelecido um processo de transformação
socioespacial capaz de resignificar por meio das organizações sociais as relações entre
comunidade e território (VILLAS BOAS, 2007, p.46).
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Ver VILLAS BOAS, 2007, p.47