Ocupação Efêmera da FeliS e seus impactos no Centro Histórico. Espaço público e ocupação efêmera | Page 27

urbanas, pois implica na territorialização 24 gerando a permanência identitária. Conforme afirma Lucas Fuini( 2014):
No contexto da cidade atual com sua heterogeneidade social e multiplicidade de centralidades – é possível falar que a convivência social e as práticas culturais de certos grupos singularizam determinados espaços, os pequenos lugares, via apropriação e especialização.( FUINI, 2014, p. 231-232)
De acordo com Gomes( 2009), o espaço público tem na rua a manifestação de sua excelência, estudada e analisada há pelo menos 150 anos dentro da civilização ocidental. Em pesquisas sobre eventos e a dinâmica dos espaços, Lisboa( 2010) esclarece que com o surgimento das primeiras cidades, foram sendo ocupados os espaços destinados à rua e às praças para a realização dos eventos, apesar de possuírem locais específicos para estas atividades. Para Schramm e Lima( 2005):
Os eventos efêmeros podem oferecer à urbs em termos da criação de uma rede que ativa os vazios( contribuição esta que, é importante ressaltar, depende da preservação de seu aspecto transitório), criando um espaço " alternativo " para o domínio público, é possível conjecturar sobre uma cidade dotada de infraestruturas concebidas especificamente para o efêmero.( SCHRAMM; LIMA, 2005).
A rua é definida também como forma-conteúdo 25, não sendo criticada pelos aspectos formais, mas pelos aspectos que envolvem a dinâmica, o ritmo, o uso e a frequência que constituem e viabilizam a existência. Ampliada a percepção de rua, enquanto espaço de somas dos diferentes modos de vida, é possível entendê-la como espaço entre a arte e a cidade. Desta forma, o espaço público foi sendo considerado como um ambiente de conquista social e socializante. Para Anne Sampaio( 2011), as ações efêmeras compreendem o espaço urbano como um território fértil para suas ações, em que o olhar do transeunte é despertado para os detalhes existentes na cidade.
Os eventos que se utilizam da efemeridade, enquanto ocupação e arquitetura, estão em crescimento por todo o país e pelo mundo, pois torna-se interessante diversificar a rotina de uma praça, uma rua, uma região histórica, uma área
24 Termo utilizado para conceituar o movimento de se constituir referenciais simbólicos e
identitários( materiais e imateriais) junto a um recorte espacial definido, dotando-o de unidade( FUINI, 2014, p. 231). 25 Ver GOMES, 2009, p. 43.