Ocupação Efêmera da FeliS e seus impactos no Centro Histórico. Espaço público e ocupação efêmera | Page 26

As experiências como atividades efêmeras apreendem o espaço urbano levando em conta a realidade da vida urbana e de quem o utiliza. No contexto de interações entre o espaço e seus elementos evidencia-se a produção de dois aspectos: 1) a construção social do espaço, referenciada pelos produtores e produtos de prática social; 2) a construção espacial da sociabilidade pública, que são os produtos e produtores das espacializações da vida social. Desta forma, reflete-se que o que move as pessoas está entre o presente, a memória, o interior e o coletivo (LEITE, 2007 apud NARDI, 2015, p.130). Outros pontos para a ocupação de um espaço são a variedade de funções, as formas e o uso, pois estimulam e atraem o usuário. A ocupação efêmera dos espaços públicos é vista por muitos especialistas como uma oportunidade de requalificação dos espaços, além de possuir como principal objetivo "devolver a rua ao cidadão" 22 . Sendo uma busca pelo reestabelecimento de um vínculo do cidadão com a cidade, pois uma ocupação é capaz de deixar diversas marcas, impactos, intensidades e permanências nos lugares (SANSÃO, 2012 apud JIMENEZ; MESENTIER, 2015, p.2). Desta forma, as associações feitas entre eventos e espaços públicos são de grandes contribuições que visam aumentar a importância do local e o seu valor enquanto marco (LYNCH, 1997 apud SILVA e Lay, 2012). A intenção de uma ocupação efêmera está no resgate das funções de sociabilidade dos espaços públicos, por vezes desgastados e esquecidos. Conforme Lefebvre (1969) e Alves (2010) a importância de um evento, no espaço público, está na reunião de possibilidades de encontros, interação e reapropriação. As manifestações e comemorações nos espaços públicos são vistas como estimulantes de civilidade e da qualidade de vida urbana. Além de devolver a este espaço a dimensão do lúdico, da festa e do espontâneo 23 . Para Daniel Paz (2008), a arquitetura efêmera é empregada quando se visa acrescentar e melhorar o desempenho de um lugar para uma finalidade igualmente temporária. Segundo Benhur Costa (2005), durante a realização de um evento efêmero- artístico (EEA), é possível que seja absorvido pelo indivíduo que participa, sensações causadas por experiências de relacionamento que são responsáveis por um processo de identificação, tanto individual quanto coletivo. Este processo reflete nas escalas 22 23 Ver ZARPELON, 2013, p.12. Ver ZARPELON, 2013, p.75.