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acabou-se, perdi a confiança, estou em território inimigo. Que cagaço!
Fazem-nos entrar para um carro da polícia. Respiro um pouco melhor. Desta vez vão por certo levar-me a casa, já está tudo esclarecido, começo a serenar. Na realidade, o carro pára diante de uma prisão. Uma autêntica prisão, com portões de ferro e muros altos!
Recuso-me a descer do carro. Não quero entrar lá para dentro. Se me prendem, nunca mais de lá saio!
Os rapazes já não estão connosco, levaram-nos para outro local. Estamos sozinhas, eu e a minha amiga, fitamo-nos apavoradas, falamos por gestos cheias de angústia.
" Eles não telefonaram!" " Não querem! " " Vão-nos prender!," " Não quero sair do carro!" Começo a enervar-me. A raiva sobe-me à garganta, e berro:
" Telefonem aos meus pais! Eles vão ficar aflitos! Por favor, pensem neles! Eu quero que lhes telefonem!
Um chui responde-me com dureza: " Cala a boca! " Soa a uma verdadeira ameaça. Já nem tenho o direito de falar.
Obrigam-nos a descer do carro, fazem-nos entrar no átrio da prisão. Está uma freira à porta e nós seguimo-la. Tudo aquilo é uma loucura, uma injustiça sem nome.
Sou culpada de quê?, de ter tentado explicar-me?, daquilo que os outros fizeram? Sinto-me vítima de uma tremenda injustiça. Tenho a impressão que sou eu quem suporta a pior parte.
Isto é nojento! É monstruoso fazerem-me uma coisa destas! Entramos numa sala e uma mulher diz-nos para tirarmos os
atacadores dos sapatos e as pulseiras. Mete tudo em dois saquinhos de plástico.
" Por que é que faz isto?"