O voo da Gaivota 1 | Page 72

72
Parece que se trata daquilo que é classificado como " destruição de mobiliário urbano ".
Levam-nos a um posto de polícia e seguidamente a outro. Ao todo, fomos a três ou quatro.
Eu, que não fiz nada e que nem sequer tinha bebido, acho aquela história infernal, incrível. Quero ir para casa o mais depressa possível. Tenho que explicar a verdade, por muito idiota que seja. Mas os rapazes não se acalmam, os " chuis," também não, o tempo passa e eu começo a ter medo de ficar detida.
Por fim, aproveitando um momento em que as coisas acalmam, recomeço a explicar onde é que estávamos, por que é que os meus amigos beberam e estão exaltados... que não fiz nada de mal... que não bebi nada, que não parti nada... Faço esforços terríveis para oralizar, gesticulando ao mesmo tempo. Não sei se eles entendem.
Estou farta, quero que previnam os meus pais. Vão ficar aflitos, quero que saibam onde estou.
" Telefonem, telefonem...",
Fico com a garganta a arder de tanto suplicar. Têm o meu bilhete de identidade, o meu nome, a minha morada, já escrevi o número do telefone num papel, por que é que não ligam? Eles acenam que sim... que sim... com a cabeça, mas continuam sem telefonar! É um tormento. Mas não há diálogo possível com aquela gente fardada.
Levam-nos a outra esquadra por causa de um papel qualquer, não entendi bem. E o tempo a passar, são sete e meia da tarde, já é noite. Isto não é normal, só tenho treze anos, sou menor, não têm o direito de andar assim comigo em bolandas sem prevenirem os meus pais.
Recomeço as explicações. Estou roxa de fúria. E farta de dizer àquela mulher polícia que não fiz nada de mal, que os rapazes é que se enervaram porque tinham bebido! Tenho a sensação de ser um papagaio enrouquecido repetindo a mesma coisa pela milésima vez. Nada daquilo faz qualquer sentido. E seja como for, não se metem na cadeia duas meninas por causa de um cartaz do metro a gabar as qualidades de um produto qualquer, da lotaria nacional ou da marca de um sabonete! Não percebo se ela entende ou se não entende porque não quer. Aquela mulher é um autêntico muro de Berlim.
Mais uma esquadra, mais papelada. Estou a começar a ficar com medo. Eu julgava que a polícia era o símbolo da segurança. Mas