O voo da Gaivota 1 | Page 134

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É uma história de revolta, de amor, de humor.
Jean fará o papel de Jacques, professor num instituto de jovens surdos, onde os seus métodos são surpreendentes. Ele quer que as crianças saiam do seu isolamento, obrigá-los a ler nos lábios e, por fim, a falar.
Sara recusa. Nasceu surda, prefere permanecer encerrada no seu universo de silêncio. Recusa o mundo dos que ouvem, o mundo que a magoou, a humilhou, que nunca fez o menor esforço para comunicar com ela. Por que é que ela havia de o fazer? Até o pai a abandonou.
Sara vai apaixonar-se por Jacques. Mas apesar desse amor quer conservar a sua identidade, a sua independência.
Olhar. Sara.- Jacques. Olhar. Emmanuelle- Jean. Emmanuelle irá apaixonar-se pelo Jean?
Já acabei o liceu, tenho vinte anos, posso voar a caminho de todas as paixões. Incluindo esta. Mas primeiro faz o teu exame como atriz.
Para além da equipa, ninguém acredita na reposição daquela peça em França. Nem mesmo os surdos. Não há nenhum apoio financeiro ou moral. O Jean é doido. E eu amo-o. Também amo a sua loucura.
Aprendo. Muito. Não só o papel mas também a viver em equipe, com os atores. Choques. Conversas. Acordos. Amor.
Os que ouvem e os surdos misturados, é um intercâmbio extraordinário, precioso. Como cristal. Aprecio a solidez da Anie Balestra, a ternura e a atenção de Nadine Basile, o carinho de Daniel Bremont, o humor de Joel Chalude, que é surdo, a força e a tenacidade de Jean Dalric, o profissionalismo de Fanny Druilhe, também surda, e o bom humor do barulhento Louis Amiel.
Ensaio. A gaivota sente-se afogar entre duas vagas. Dois directores de actores, Levent Beskardes e Jean Dalric. Um é surdo e o outro não. Compreendem de forma diferente a personagem. As suas indicações diferem. A gaivota entra em pânico. Um vê a Sara de uma maneira, o outro vê-a de outra. Terei que ser eu a escolher. Meter a Sara na minha pele e meter-me eu na pele de Sara.
Para mim, o teatro era um paraíso, agora é um trabalho. Um verdadeiro trabalho de profissional.