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sons para os reexpedir em sinais ao nervo auditivo. A pessoa que o utiliza tem que aprender a descodificar.
Desde 1980, data em que se efectuaram as primeiras operações, ouve-se falar disso por toda a parte no mundo dos surdos.
Os que recusam esse procedimento, como eu, são considerados uns autênticos irresponsáveis, militantes ultrapassados pela ciência. Dizem de nós:
" Denunciam uma tentativa de purificação étnica da população surda, é ridículo.", Ou então:
" A sua língua gestual é violenta, não nos admira que nos rejeitem, e que nós os rejeitemos a eles.
E ainda:
" A língua gestual é uma velharia da qual fazem poder!, Quem fala de violência? De poder? De rejeição?
Em todo o caso, eu não. Se recuso esta " técnica cirúrgica "
é porque sou adulta e tenho o direito de dizer não. Ao contrário, um bebé de três ou quatro anos a quem impõem aquela coisa ", não pode dar a sua opinião. Mas eu posso. Em geral, enervo-me quando se fala deste assunto. E asseguro-lhes que em língua gestual, isso vê-se bem.
Nenhum dos médicos que pretende fazer milagres com aquele engenho sabe falar língua gestual. O que ele quer é que o surdo ouça como ele. Fale como ele. O que ele quer é que nós uivemos como o lobo. Rotula-nos de punhado de militantes manipulados ", receosos de que desapareça o " poder " da língua gestual.
" Poder " não, senhor cirurgião, chame-lhe antes " cultura ".
O senhor não fala de cultura, ternura, partilha; fala de cirurgia, do poder do bisturi, dos eléctrodos, dos sinais codificados.
Sem contar que não confessa honestamente os danos que essa operação pode causar.
O senhor implantador não está absolutamente certo da eficácia dos seus eléctrodos. Podem avariar dentro de dez ou vinte anos. Não tem recuo suficiente para ser tão peremptório. Não pode agir a seu bel-prazer.