O voo da Gaivota 1 | Page 120

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Em primeiro lugar, ignorava por completo o que representava o mundo dos surdos.
Em segundo lugar teimava em dizer:
Vocês primeiro têm que falar, para poderem integrar-se nomundo dos que ouvem."
O que é que ele queria dizer com a palavra integração? Onde estavam as escolas que nós lhe dizíamos necessitar tanto para podermos progredir nas duas línguas? Onde estavam os lares para surdos? Os centros de informação contra a sida destinados a surdos? Onde estavam todas as nossas reivindicações?
Ele só sabia repetir: " Falem e conseguirão integrar-se!" Por fim um surdo, já zangado, levantou-se e respondeu-lhe: " Se eu tenho que falar, então levante-se dessa cadeira e ande! " Foi mauzinho? Por certo. Mas era também humor negro. Por vezes ajuda. Os políticos entristecem-me.
Violino. Já uma vez disse que não captava nenhuma vibração do violino. Tem um som muito alto. Muito complicado. Muito sinuoso. É impossível de imaginar como música.
Preciso de ter os pés assentes na terra para sentir uma música realista.
Isto enerva-me.
22 Silêncio Exame
Se tivesse um professor de francês capaz de falar línguagestual como a minha mãe( mesmo com os erros que ela aindacomete e que me fazem rir) teria menos medo do exame. Leionos seus lábios. Tenho que deduzir daquilo que vejo na suaboca, UMA palavra, em seguida outra palavra, até finalmenteconseguir construir UMA frase. Ao todo, passei dez anos noInstituto Morvan. É uma escola privada, oralista, mas estou grata pelo ensino que ali recebi.