O voo da Gaivota 1 | Page 114

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taça. Desse trabalho nasceu uma cassete informativa, que continua à espera de ser distribuída e divulgada!
Considero esta luta extremamente importante para a minha comunidade. Desde os meus dezassete anos que sempre que me pedem participo nas campanhas de informação sobre a Aids.
Ainda temos uma certa dificuldade em abordar os diferentes modos de transmissão do vírus. Mas aquilo que exigimos ao poder público é que nos permita ir às escolas, formar grupos, organizar conferências para surdos. A inteligência, a coragem e a dedicação de Bruno Moncelle mereciam não só ser encorajadas mas AJUDADAS.
Volto a repetir: há três milhões e meio de surdos, que votam, como toda a gente, que fazem amor e têm filhos, como toda a gente. Têm o direito à informação, como toda a gente.
AIDS SOL – É bonito de mais para um vampiro assassino.
21. Isto Enerva-me
A educação dos surdos em França não vai além do liceu.
No Instituto Morvan, fazemo-lo em três anos. Alguns surdos conseguem ir até à universidade. Uma das minhas amigas conseguiu-o. É muito difícil, o trabalho é multiplicado por dez. Um seu colega que ouve toma notas, e depois ela faz fotocópias. Quando não é um colega amigo que toma as notas, ela tem que se arranjar de outro modo. O colega dela fez disso o seu emprego; agora serve de apoio aos estudantes surdos.
Ao voltar para casa, a minha amiga vai estudar. Mas as notas tiradas por outras pessoas são mais difíceis de apreender, se tivesse sido ela a uouvir " a lição, saberia melhor quais os apontamentos que lhe interessaria fazer. Ainda por cima, depois das aulas não pode pedir ao professor um esclarecimento sobre este ou aquele assunto, como fazem os que ouvem. Se lhe escapa alguma coisa tem que se desembrulhar sozinha. O que é uma perda de tempo.
Há ainda um outro método: gravar as aulas. Depois o pai ou a mãe, que ouvem, traduzem a fita por escrito. Tudo isso leva um tempo infinito até que ela possa começar a trabalhar eficazmente. Um dia disse-me: