O voo da Gaivota 1 | Page 113

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Bruno explica que é preciso tomar muita atenção, pois não há sinais visíveis, nenhuma forma de " ver " a doença no rosto.
Para os surdos, a ausência total de referências visuais funciona como uma espécie de cegueira. Um obstáculo à compreensão. Alguém emagrece, possivelmente é porque anda a comer pouco, mais nada; se alguém aparece com manchas na cara, trata-se simplesmente de uma pessoa que se expôs demasiado ao sol. É absolutamente necessário fazer-lhes compreender o lado traiçoeiro daquele vírus adormecido. A ausência de sintomas visíveis.
Bruno explica que a doença surge mais tarde, depois de o
vírus se instalar no corpo, porque o vírus está adormecido e um dia acorda. Toma o ovo como exemplo: durante muito tempo
não se vê nada do que está dentro daquela casca branca e no entanto está lá dentro um pinto adormecido. A dada altura, depois do choco, o pinto sai.
Só que o vírus não é um lindo pintainho, é um vampiro que vai destruir o corpo a partir do interior.
Houve uma imagem que chocou imensamente os jovens, a daquele jogador de basquete americano, Magic Johnson, que teve a coragem de dizer publicamente que era soropositivo.
A mensagem passou, sobretudo entre os rapazes surdos, que vêem na televisão muitos programas desportivos. Um dos rapazes perguntou se aquele jogador que ele viu em plena forma terá que deixar de jogar.
Eu prossigo com os argumentos do Bruno, para lhes explicar que o vírus dorme, como o pinto no ovo. O jogador não está doente, mas no dia em que aquele pinto monstruoso sair, irá minar-lhe o corpo e para ele será o fim, nunca mais poderá jogar e vai então ficar muito doente.
Em seguida Bruno distribui preservativos.
A esse respeito a informação é simples: se fizer amor com preservativo, não apanha Aids; sem preservativo, apanha Aids.
Na secção dos surdos da AIDES inventámos um símbolo especial para descrever o vírus. A mão direita, com o polegar e o indicador em círculo, formando uma bola, e os outros dedos no ar, afastados, a simbolizar os raios. A mão esquerda coloca-se por baixo, como uma