100
Péssima, a cara da gaivota. A gaivota acha-se um estupor. E no dia seguinte recomeça. Discuto com a minha irmã lá em casa. Cresceu, a Maria. A nossa última discussão tinha sido por um motivo fútil.
Ela é desarrumada, as coisas dela estão espalhadas por todo o lado no quarto e utilizamos o mesmo armário.
" Arruma as tuas coisas, não deixes tudo espalhado por onde calha."
" Deixa-me em paz." Se não fazes o que te digo, zango-me e não te falo mais." " Não tenho culpa se o armário está no teu quarto.", " Pois, justamente! Estás no MEU quarto, arruma isso." " Pára de me chatear. Tenho deveres para fazer."
Puxei-a à força para o quarto, para a obrigar a arrumar as coisas. Ela gritava. Eu já não conseguia controlar-me. Amamo-nos e brigamos. Daquela vez ela não se riu quando eu disse:
" És uma chata."
É como tatitão. " Chata " é tifiti a pronunciar. Custa-me dizer os s e os ch. Mas não é grave.
A minha desarrumação está dentro da minha cabeça, neste momento. É debaixo da cabeleira que está tudo num caos, porque quanto ao resto, arrumo tudo como arrumava as minhas bonecas quando era pequena.
É verdade que a Maria cresceu. Dantes, iria a correr fazer " queixinhas " à mãe. Puxávamos os cabelos uma à outra e eu levava uma descompostura. Agora amua, não diz nada à mãe.
Defende-se sozinha. Como uma menina crescida. E quando amua, deixa de me falar por gestos.
Corrige os meus erros de francês, é a primeira em todas as disciplinas. A Maria, minha irmã pequenina, já tem dez anos de autonomia.
Estava tudo errado!