O reencontro da esquerda democrática e a nova política | Page 38

Nesse mesmo período, o senador Alberto Pasqualini, do PTB, contribuiu para dar um conteúdo doutrinário trabalhista ao seu partido, bem como de um projeto para o Brasil, respondendo às críticas de que o PTB seria tão somente um braço político do Ministério do Trabalho e cujos sindicalistas viviam à sombra do imposto sindical. O trabalho dele aproximou as correntes progressistas do Brasil, como o PSB e o PCB. O projeto desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek, seu respeito às liberdades democráticas, sua postura de diálogo com os movimentos sociais, bem como sua política de valorização do salário mínimo, fortaleceram a aliança PSD-PTB-PCB, que passou a contar, na eleição presidencial de 1960, com a incorporação do PSB, cuja direção nacional rompera com o candidato da coligação UDN-PTN, Jânio Quadros. A eleição presidencial de 1960, a renúncia de Jânio e a saída parlamentarista Com uma campanha que misturava moralismo, populismo e exploração das dificuldades econômicas do país, entre elas, o processo inflacionário, o vencedor foi Jânio Quadros, com 48,27% dos votos. O candidato dos progressistas, o marechal Teixeira Lott, ministro da Defesa que se notabilizou por garantir a posse do presidente Juscelino Kubitschek, em 1955, ficou em segundo, com 32,93%. Adhemar de Barros, do PSP, ex-governador e então prefeito de São Paulo, ficou em terceiro, ao receber 19,56% dos votos. Em agosto de 1961, Jânio Quadros renunciou à Presidência, abrindo uma grave crise política no país. Os ministros militares se posicionaram contrariamente à posse do vice-presidente João Goulart, do PTB. Principal líder trabalhista, Jango atraiu a antipatia dos empresários ao conceder aumento de 100% ao salario mínimo, quando ministro do Trabalho de Getúlio Vargas, no início de 1954. 36 O reencontro da Esquerda Democrática e a Nova Política