O reencontro da esquerda democrática e a nova política | Page 39
Quando da renúncia de Jânio, o vice-presidente encontrava-se em viagem à República Popular da China. Nesse momento,
PCB, PSB, PTB e a maioria do PSD se uniram em defesa da legalidade e da posse de Goulart, como mandava a Constituição.
A solução para o impasse criado pelo veto das Forças Armadas à posse de Jango foi a instituição do sistema parlamentarista
de governo, no qual o presidente da República ocupa a função de
chefe de Estado e divide o poder com o chefe de governo, o primeiro-ministro indicado pelo Congresso Nacional.
A chamada “solução parlamentarista” foi articulada por
Tancredo Neves, um dos principais líderes do PSD e que havia sido
fiel ministro da Justiça de Vargas. Tancredo chefiou o primeiro gabinete parlamentarista. Porém, o parlamentarismo foi derrubado pelo
plebiscito realizado em janeiro de 1963, quando a maioria dos eleitores, 75%, votou pelo retorno ao presidencialismo. PCB, PSB e PTB
fizeram campanha pela volta do regime presidencialista, pois
queriam a devolução dos poderes ao presidente João Goulart.
Também foram favoráveis à volta do presidencialismo os pré-candidatos à Presidência da República, cuja eleição estava marcada
para 1965: o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, do
PTB; o ex-presidente Juscelino Kubitschek, do centrista PSD; e o
governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto, da UDN, de centro-direita. Carlos Lacerda, governador da Guanabara, também da
UDN e igualmente presidenciável, defendeu a abstenção, sem apoiar
o presidencialismo e tampouco o parlamentarismo.
A vitória foi entendida como uma nova eleição de João
Goulart, que obteve de volta todos os poderes do presidencialismo
brasileiro. Mas, talvez esse momento tenha marcado o início da
derrota política da aliança PTB-PSD-PSB-PCB.
A implantação do parlamentarismo, em 1961, fora percebida
pelas esquerdas como uma mera manobra golpista contra João
Goulart. De fato, foi. Mas as esquerdas perderam de vista que o
parlamentarismo poderia ter permitido uma composição entre as
esquerdas (PCB, PSB e PTB) e as forças centristas (PSD de TancreA Frente Nacionalista e os eventos dos anos 50
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