PDL – PROJETO DEMOCRATIZAÇÃO DA LEITURA
pois não foi possível incluir na primeira devido a um problema de acumulação de novidades. Se o senhor se incomodasse em compreender nossos problemas e não fosse tão egoísta, entenderia perfeitamente. Fitei os três, incrédulo.— Não me digam que não vão fazer nada. Barrido olhou para mim, desolado.— E o que quer que façamos, meu amigo? Estamos apostando todas as nossas fichas em você. Ajude-nos um pouco você também.— Se pelo menos tivesse escrito um livro como o de seu amigo Vidal— disse
Escobillas.— Aquilo sim que é um grande romance— confirmou Barrido.— Até La Voz de la
Industria diz isso.— Eu sabia que isso ia acontecer— prosseguiu Escobillas.— O senhor não passa de um mal-agradecido.
A meu lado, a Veneno olhava para mim com ar penalizado. Tive a impressão de que ia pegar minha mão para consolar-me e afastei-a rapidamente. Barrido deu um sorriso meloso.
— Talvez seja melhor assim, Martín. Quem sabe não é sinal de Nosso Senhor que, em sua infinita sabedoria, quer lhe mostrar o caminho de volta ao trabalho que tanta felicidade deu aos leitores de A Cidade dos Malditos.
Caí na gargalhada. Barrido juntou-se a mim e, a um sinal seu, Escobillas e a Veneno fizeram o mesmo. Contemplei aquele coro de hienas e pensei comigo mesmo que, em outra situação, aquele momento teria para mim um sabor de finíssima ironia.
— É assim que eu gosto, que tome as coisas positivamente— proclamou Barrido.— E então, o que me diz? Quando teremos o próximo capítulo de Ignatius B. Samson?
Os três me olharam solícitos e ansiosos. Pigarreei, clareando a voz para articular com toda a precisão e sorri:
— Os senhores, por favor, vão à merda.