O joo do anjo Carlos Ruíz Zafón - O Jogo do Anjo | Page 438

PDL – PROJETO DEMOCRATIZAÇÃO DA LEITURA
— Não sei se devo aceitar...— Considere como meu presente de casamento adiantado.— E eu que ainda tinha esperança de que você me levasse ao altar algum dia, nem que fosse como padrinho.— Nada me daria mais prazer.— Mas tem que ir embora.— Sim.— Para sempre.— Por um tempo.— E se eu for com você? Beijei sua testa e abracei-a.— Onde quer que eu esteja, você estará sempre comigo, Isabella. Sempre.— Não tenho a menor intenção de sentir a sua falta.— Sei muito bem disso.— Posso pelo menos acompanhá-lo ao trem ou ao que for? Hesitei tempo demais para ser capaz de negar a mim mesmo aqueles últimos minutos em sua companhia.— Para garantir que vai embora mesmo e de que estarei livre de você para sempre— acrescentou.— Trato fechado. Descemos lentamente pela Rambla, Isabella de braços dados comigo. Ao chegar à Rua Arc del Teatre, atravessamos para um beco escuro que abria caminho em meio ao Raval.— Isabella, o que vai ver essa noite não pode ser revelado a ninguém.— Nem a Sempere Júnior? Suspirei.— Claro que sim. Para ele pode contar tudo o que quiser. Com ele quase não temos segredos. Quando abriu a porta, Isaac, o guardião, sorriu e ficou de lado, dando passagem.— Já era tempo de termos uma visita de categoria— disse, fazendo uma reverência a
Isabella.— Posso adivinhar que vai preferir guiá-la você mesmo, não, Martín?— Se não se importa... Isaac concordou e estendeu a mão, que apertei.— Boa sorte— disse ele.