O joo do anjo Carlos Ruíz Zafón - O Jogo do Anjo | Page 412
PDL – P ROJETO D EMOCRATIZAÇÃO
DA
L EITURA
— Então pegue esse revólver ridículo que está escondido em seu casaco há horas e,
tomando cuidado para não disparar no próprio pé, trate de ameaçar que vai estourar meus
miolos se não lhe entregar a chave desta porta.
Olhei para a porta.
— Em troca, peço-lhe apenas que me diga onde está Cristina Sagnier, se é que está
viva.
Abaixei os olhos, incapaz de encontrar minha própria voz.
— Foi você quem a matou?
Deixei passar um longo silêncio.
— Não sei.
Grandes aproximou-se e me entregou a chave da porta.
— Desapareça daqui, Martín.
Hesitei um instante antes de pegar a chave.
— Não vá pela escada principal. Saindo pelo corredor, no final, do lado esquerdo, há
uma porta azul que só abre desse lado e que dá para a escada de incêndio. A saída dá
para o beco atrás do prédio.
— Como posso agradecer?
— Pode começar não perdendo tempo. Tem trinta minutos antes que todo o
departamento de polícia comece a pisar em seus calcanhares. Não desperdice — disse o
inspetor.
Peguei a chave e fui para a porta. Antes de sair, virei um instante. Grandes estava
sentado na mesa e me observava sem expressão alguma.
— Esse broche de anjo — disse, indicando minha lapela.
— Sim?
— Eu o vi em sua lapela desde que o conheço — disse.