O joo do anjo Carlos Ruíz Zafón - O Jogo do Anjo | Page 405

PDL – P ROJETO D EMOCRATIZAÇÃO DA L EITURA entre muitos outros detalhes factuais que não desmerecem sua experiência na criação de histórias policiais. A única coisa que não me contou e que, francamente, esperava ouvir, para o seu bem e o meu, é onde está Cristina Sagnier. Compreendi que a única coisa que poderia me salvar naquele momento seria mentir. No instante em que contasse a verdade sobre Cristina, minhas horas estavam contadas. — Não sei onde ela está. — Está mentindo. — Já disse que não ia adiantar de nada contar a verdade — respondi. — Exceto para me fazer passar por imbecil por querer ajudá-lo. — É isso que está tentando fazer, inspetor? Ajudar-me? — Sim. — Então verifique tudo o que disse. Encontre Marlasca e Irene Sabino. — Meus superiores só me deram 24 horas com você. Se até lá não entregar Cristina Sagnier sã e salva, ou pelo menos viva, vão me afastar do caso e passá-lo para as mãos de Marcos e Castelo, que esperam há muito tempo por uma oportunidade de demonstrar seus méritos e não vão perdê-la. — Então não perca tempo. Grandes bufou, mas concordou. — Espero que saiba o que está fazendo, Martín. Calculei que deviam ser nove da manhã quando o inspetor Grandes me deixou naquela sala sem outra companhia além da garrafa de café e do maço de cigarros. Colocou um de seus homens na porta e ouvi quando deu ordens de não permitir a entrada de ninguém, sob pretexto algum. Cinco minutos depois de sua partida, ouvi que alguém batia na porta e reconheci o rosto do sargento Marcos recortado na janelinha de vidro. Não podia ouvir suas palavras, mas o movimento de seus lábios não deixava lugar a dúvidas: Vá se preparando, filho da puta.