O joo do anjo Carlos Ruíz Zafón - O Jogo do Anjo | страница 398
PDL – P ROJETO D EMOCRATIZAÇÃO
DA
L EITURA
— No mínimo é porque não olhou onde devia — sussurrou em meu ouvido. — No
mínimo essa alma aprisionada é a sua.
Então desamarrou o lenço que protegia sua garganta e pude ver que uma grande
cicatriz cruzava seu pescoço. Dessa vez, seu sorriso foi malicioso e seus olhos brilharam
com luz cruel e zombeteira.
— Logo o sol vai nascer. Vá embora enquanto pode — disse a Bruxa de Somorrostro,
virando-me as costas e devolvendo o olhar ao fogo.
O menino de roupa preta apareceu na porta e estendeu a mão para mim, indicando
que meu tempo tinha acabado. Levantei e fui atrás dele. Quando me virei, fui surpreendido
por meu reflexo num espelho pendurado na parede. Nele se via a silhueta encurvada e
envolta em farrapos de uma velha sentada ao pé do fogo. Seu riso escuro e cruel me
acompanhou até a saída.