O joo do anjo Carlos Ruíz Zafón - O Jogo do Anjo | Page 349
PDL – P ROJETO D EMOCRATIZAÇÃO
DA
L EITURA
— Não conseguia dormir. O doutor receitou umas gotas de láudano.
— Disse alguma coisa no caminho?
Pep sacudiu os ombros.
— Perguntou pelo senhor, se sabia alguma coisa a seu respeito, se tinha visto o
senhor...
— Nada mais?
— Estava muito triste. Começou a chorar e quando perguntei o que havia, disse que
sentia muita falta do pai, o Sr. Manuel.
Foi então que atinei, amaldiçoando-me por não ter pensado nisso antes. Pep ficou me
olhando com estranheza e perguntou por que estava sorrindo.
— Sabe onde ela está? — perguntou.
— Acho que sim — murmurei.
Tive então a impressão de reconhecer uma voz do outro lado da Rua e de ver uma
sombra familiar desenhada na ante-sala do Liceo. Vidal não tinha agüentado nem o
primeiro ato. Pep virou um segundo para atender a chamada do patrão e quando quis me
dizer que me escondesse, eu já tinha me perdido na noite.