O joo do anjo Carlos Ruíz Zafón - O Jogo do Anjo | Page 347

PDL – P ROJETO D EMOCRATIZAÇÃO DA L EITURA O patrão pegou um torrão de açúcar e deixou cair na xícara. Depois um segundo e um terceiro. Provou o café e colocou mais quatro torrões. Em seguida um quinto e levou o café à boca. — Adoro açúcar — comentou. — Estou vendo. — Você não disse nada a respeito de nosso projeto, amigo Martín — cortou. — Algum problema? Engoli em seco. — Está quase acabado — disse. O rosto do patrão iluminou-se num sorriso que preferi evitar. — Essa sim que é uma boa notícia. E quando irei recebê-lo? — Umas duas semanas. Preciso revisar certos detalhes. Mais carpintaria e acabamentos do que qualquer outra coisa. — Podemos fixar uma data, então? — Se quiser... — Que tal sexta-feira, 23 deste mês? Aceitaria então um convite para jantar e comemorar o sucesso da nossa empreitada? Sexta-feira, 23 de janeiro, dentro de exatamente duas semanas. — De acordo — aceitei. — Confirmado, então. Levantou a xícara de café transbordante de açúcar, como se brindasse, e engoliu de um só gole. — E você? — perguntou casualmente. — O que o traz por aqui? — Estava procurando uma pessoa. — Alguém que eu conheça? — Não. — E encontrou? — Não. O patrão fez que sim lentamente, saboreando meu mutismo. — Tenho a impressão de que o estou retendo contra a sua vontade, meu amigo. — Estou um pouco cansado, é só. — Então não quero lhe roubar mais tempo. Às vezes me esqueço que, embora aprecie sua companhia, talvez a minha não seja do seu agrado.