O joo do anjo Carlos Ruíz Zafón - O Jogo do Anjo | Página 339

PDL – P ROJETO D EMOCRATIZAÇÃO DA L EITURA — E você, como vai a história com ele? — É um bom homem — disse. Isabella guardou um longo silêncio e abaixou a cabeça. — Ele me pediu em casamento — disse. — Faz uns dois dias, no Els Quatre Gats. Contemplei seu perfil, sereno e já privado daquela inocência juvenil que quis ver nela e que provavelmente nunca esteve lá. — E então? — perguntei finalmente. — Disse que ia pensar. — E vai pensar? Os olhos de Isabella estavam perdidos na fonte. — Disse que quer formar uma família, ter filhos... Que viveríamos no apartamento em cima da livraria e que conseguiríamos manter o negócio apesar das dívidas que o Sr. Sempere tinha. — Bem, você ainda é jovem... Virou a cabeça e olhou-me nos olhos. — Gosta dele? Sorriu com infinita tristeza. — Que sei eu... Acho que sim, mas não tanto quanto ele pensa que me ama. — Às vezes acontece, em circunstâncias difíceis, de confundirmos compaixão com amor — disse. — Não se preocupe comigo. — Só lhe peço que se dê um pouco de tempo. Olhamo-nos, amparados por uma infinita cumplicidade que já não precisava de palavras, e abracei-a. — Amigos? — Até que a morte nos separe.