O joo do anjo Carlos Ruíz Zafón - O Jogo do Anjo | Page 334
PDL – P ROJETO D EMOCRATIZAÇÃO
DA
L EITURA
Não o fiz e alguns segundos depois Vidal balançou a cabeça e retirou a mão.
— O que está fazendo aqui? — alfinetei.
— Sempere também era meu amigo — replicou Vidal.
— Sim. E veio sozinho?
Vidal me olhou sem entender.
— Onde está? — perguntei.
— Quem?
Deixei escapar um riso amargo. Barceló, que tinha nos visto, estava se aproximando
com ar triste e desaprovador.
— O que lhe prometeu agora para comprá-la?
O olhar de Vidal endureceu.
— Você não sabe o que diz, Martín.
Adiantei-me até sentir seu hálito em meu rosto.
— Onde está ela? — insisti.
— Não sei — disse Vidal.
— Claro — respondi, desviando o olhar.
Dei meia-volta, disposto a ir diretamente para a saída, mas Vidal agarrou meu braço e
me deteve.
— David, espere...
Antes que pudesse perceber o que estava fazendo, virei e acertei-lhe um soco com
todas as minhas forças. Meu punho estalou contra seu rosto e vi quando caiu para trás. Vi
que havia sangue em minha mão e ouvi passos que se aproximavam correndo. Braços me
seguraram e me afastaram de Vidal.
— Pelo amor de Deus, Martín... — disse Barceló.
O livreiro ajoelhou-se junto a Vidal, que estava com a boca cheia de sangue e
ofegava. Barceló segurou sua cabeça e lançou-me um olhar furioso. Fui embora o mais
rápido que pude, cruzando no caminho com alguns passantes que tinham parado para ver
a briga. Não tive coragem de olhá-los no rosto.