O joo do anjo Carlos Ruíz Zafón - O Jogo do Anjo | Seite 303

PDL – P ROJETO D EMOCRATIZAÇÃO DA L EITURA O sargento Marcos fez menção de aproximar-se, mas o inspetor o deteve. Troquei um último olhar com ele antes que Valera agarrasse meu braço de novo e saísse me arrastando. — Não pare — murmurou. Percorremos o longo corredor ladeado por luzes fracas até uma escada que nos levou a outro longo corredor que chegava a uma portinhola que dava para o hall do andar térreo e para a saída, onde um Mercedes-Benz nos esperava com o motor ligado e um motorista que abriu a porta assim que viu o Dr. Valera. Entrei e acomodei-me na cabine. O automóvel tinha calefação e os bancos de couro estavam mornos. Valera sentou a meu lado e com um toque no vidro que separava a cabine do compartimento do motorista, indicou que partisse. Assim que o carro arrancou e entrou na pista central da Via Layetana, Valera sorriu para mim como se nada tivesse acontecido e apontou para a névoa que se abria à nossa passagem como água. — Noite desagradável, não é mesmo? — perguntou casualmente. — Para onde vamos? — Para a sua casa, claro. A menos que prefira ir para um hotel ou... — Não, está bem assim. O carro descia lentamente pela Via Layetana. Valera observava as Ruas desertas com desinteresse. — O que está fazendo aqui? — perguntei finalmente. — O que acha que estou fazendo? Cuidando de seus interesses como seu representante. — Diga ao motorista que pare o carro — respondi. O motorista procurou os olhos de Valera pelo retrovisor. Valera fez que não e mandou que seguisse. — Não diga bobagens, Sr. Martín. É tarde, faz frio e vou acompanhá-lo até sua casa. — Prefiro ir a pé. — Seja razoável. — Quem o enviou? Valera suspirou e esfregou os olhos. — Tem muito bons amigos, Martín. Nessa vida, é importante ter bons amigos e sobretudo saber mantê-los — disse. — Tão importante quanto se dar conta de que está enveredando por um caminho equivocado.