O joo do anjo Carlos Ruíz Zafón - O Jogo do Anjo | Page 289

PDL – P ROJETO D EMOCRATIZAÇÃO DA L EITURA 33 Já na Rua, rumei de volta à casa perguntando-me o que ia fazer agora. Estava me aproximando da entrada da Rua Montcada, quando o vi. O inspetor Víctor Grandes, apoiado contra a parede, saboreava um cigarro e sorria para mim. Cumprimentou com a mão e atravessei a Rua em sua direção. — Não sabia que estava interessado em magia, Martín. — E eu também não sabia que estava me seguindo, inspetor. — Não estou. No entanto, é um homem difícil de ser localizado e resolvi que, se a montanha não vinha a mim, eu iria à montanha. Dispõe de cinco minutos para bebermos alguma coisa? Convite da Chefatura de Polícia. — Nesse caso... Não trouxe a carabina? — Marcos e Castelo ficaram na Chefatura tratando da papelada, mas tenho certeza de que, se tivesse dito que vinha encontrá-lo, teriam arrumado um jeito de vir. Descemos pelo desfiladeiro de velhos palácios medievais até El Xampanyet ocupamos uma mesa no fundo. Um garçom armado com um pano que cheirava a água sanitária olhou para nós e Grandes pediu duas cervejas e um tira-gosto de queijo da Mancha. Quando as cervejas e o aperitivo chegaram, o inspetor estendeu-me o prato, mas recusei. — Peço licença. Hora dessas já fico morrendo de fome. — Bon appétit. Grandes engoliu um pedacinho de queijo e lambeu os beiços com os olhos fechados. — Não lhe disseram que passei ontem em sua casa? — Recebi o recado com muito atraso. — Compreensível. Que gracinha, a menina, pode acreditar. Como se chama mesmo? — Isabella. — Sem vergonha, tem gente que sabe viver. Tenho inveja. E que idade tem o bombonzinho? Lancei um olhar venenoso e o inspetor sorriu satisfeito. — Um passarinho me disse que está dando uma de detetive ultimamente. Não quer deixar nada para os profissionais? — E como se chama o seu passarinho? — Está mais para gavião. Um de meus superiores é amigo íntimo do Dr. Valera. — E também está sob o controle deles?