O joo do anjo Carlos Ruíz Zafón - O Jogo do Anjo | Page 225
PDL – P ROJETO D EMOCRATIZAÇÃO
DA
L EITURA
Diego tinha sido um grande amigo, além de sócio, e tudo aquilo foi muito doloroso para
meu pai.
— E o tal jesuíta?
— Acho que tinha problemas disciplinares com a ordem. Era amigo de monsenhor
Cinto Verdaguer e acredito que estivesse envolvido em algumas de suas histórias, o
senhor deve saber.
— Exorcismos.
— Rumores.
— Como um jesuíta expulso da ordem poderia se permitir uma casa daquelas?
Valera deu de ombros outra vez e supus que tinha chegado ao ponto final.
— Gostaria de poder ajudá-lo, Sr. Martín, mas não sei como. Pode acreditar.
— Muito obrigado por seu tempo, Sr. Valera.
O advogado fez que sim e pressionou uma campainha embaixo da escrivaninha. A
secretária que tinha me recebido apareceu na porta. Valera estendeu a mão, que eu
apertei.
— O Sr. Martín está de saída. Pode acompanhá-lo, Margarita.
A secretária concordou e foi me guiando. Antes de sair do escritório, virei para olhar o
advogado, que estava parado, abatido sob o retrato do pai. Segui Margarita até a porta e
justo quando começou a fechá-la, virei e armei o sorriso mais inocente que sabia fazer.
— Desculpe. O Dr. Valera me deu o endereço da Sra. Marlasca, mas agora devo dizer
que não tenho tanta certeza de que o número que guardei é correto...
Margarita suspirou, ansiosa por se ver livre de mim.
— Treze. Estrada de Vallvidrera, número 13.
— Claro.
— Boa tarde — disse Margarita.
Antes que pudesse dar uma resposta, a porta se fechou no meu nariz com a
solenidade e o impacto de um santo sepulcro.