PDL – PROJETO DEMOCRATIZAÇÃO DA LEITURA
Não duvidei de sua vontade, nem da capacidade de cumprir a ameaça, mas algo em seu olhar me fazia pensar que meu adversário não era completamente idiota e que, se não tinha feito nada até agora, era porque estava avaliando o peso da minha barra de metal e, sobretudo, se eu teria força, coragem e tempo para esmagar seu crânio antes que conseguisse me atingir com aquela navalha.— Pode tentar— convidei. O sujeito sustentou meu olhar por vários segundos e depois riu. O que estava com ele suspirou de alívio. O homem fechou a navalha e cuspiu a meus pés. Deu meia-volta e afastou-se em direção às sombras de onde tinha vindo, com o colega correndo atrás dele como um cãozinho fiel.
Encontrei Isabella acocorada no saguão interno da casa da torre. Tremia e segurava as chaves com as duas mãos. Quando me viu entrar, levantou de súbito.— Quer que eu chame um médico? Ela negou.— Tem certeza?— Ainda não tinham conseguido fazer nada— murmurou, engolindo as lágrimas.— Não é o que parecia.— Não me fizeram nada, certo?— protestou.— Certo— disse eu. Quis segurar seu braço enquanto subíamos a escada, mas ela recusou o contato. Uma vez lá, acompanhei-a até o banheiro e acendi a luz.— Tem uma muda de roupa limpa para vestir? Isabella mostrou a bolsa que carregava e fez que sim.— Vamos, tome um banho enquanto preparo algo para comermos.— Como pode ter fome num momento desses?— Pois tenho. Isabella mordeu o lábio inferior.— Para dizer a verdade, eu também...— Discussão encerrada, portanto— respondi. Fechei a porta do banheiro e esperei até ouvir a água correndo. Voltei para a cozinha e botei água para ferver. Ainda restava um pouco de arroz e algumas verduras que Isabella tinha trazido na manhã anterior. Improvisei um ensopadinho de sobras e esperei quase meia hora para que Isabella saísse do banho, esvaziando quase meia garrafa de