O joo do anjo Carlos Ruíz Zafón - O Jogo do Anjo | Page 167

PDL – P ROJETO D EMOCRATIZAÇÃO DA L EITURA — E estou. — Nem se nota. Amanhã vou até o escritório e... — Nem pensar... Isabella deu de ombros, mas seu olhar continuava determinado e logo vi que em 24 horas o escritório ia sofrer uma transformação irreversível. — Ah, claro, essa manhã encontrei um envelope no saguão. Alguém deve ter enfiado por baixo da porta ontem à noite. Olhei-a por cima da xícara. — O portão lá de baixo está fechado a chave — disse eu. — Foi o que pensei. Na verdade, achei muito estranho e, embora tivesse seu nome... —... você abriu. — Temo que sim. Mas foi sem querer. — Isabella, abrir a correspondência dos outros não é sinal de boa educação. Em alguns lugares, inclusive, é um crime passível de prisão. — É o que sempre digo à minha mãe, que costuma abrir minhas cartas. E continua solta. — Onde está a carta? Isabella tirou o envelope do bolso do avental onde o tinha enfiado e estendeu para mim, evitando meu olhar. Tinha as bordas picotadas e era de papel grosso e poroso, com o selo do anjo sobre o lacre vermelho — aberto — e meu nome traçado em carmesim e tinta perfumada. Abri e retirei uma folha dobrada. Querido David, Confio em que esteja bem de saúde e tenha recebido a quantia combinada sem problemas. O que acha de nos vermos esta noite em minha casa, para começarmos a discutir os pormenores de nosso projeto? Uma ceia leve será servida por volta das dez. Estarei esperando. Seu amigo, A NDREAS C ORELLI Dobrei a folha e enfiei de volta no envelope. Isabella me observava intrigada. — Boas notícias? — Nada que lhe diga respeito. — Quem é esse tal de Sr. Corelli? Tem a letra bonita, não como a sua.