O joo do anjo Carlos Ruíz Zafón - O Jogo do Anjo | страница 156

PDL – PROJETO DEMOCRATIZAÇÃO DA LEITURA
— Então posso ser sua assistente?— Vou pensar. Isabella concordou, satisfeita. Estava sentada num canto da mesa sobre a qual descansava o álbum de fotografias que Cristina tinha deixado. Abriu casualmente na última página e ficou olhando um retrato da nova Sra. Vidal, tirado na porta da Villa Helius dois ou três anos antes. Engoli em seco. Isabella fechou o álbum e passeou os olhos pela galeria até voltar a pousá-los em mim. Eu a observava impaciente. Sorriu intimidada, como se a tivesse surpreendido bisbilhotando onde não devia.— Sua namorada é muito bonita— comentou. O olhar que lancei apagou seu sorriso de um só golpe.— Não é minha namorada.— Ah... Caiu um longo silêncio.— Suponho que a quinta regra diz que é melhor que não me meta onde não sou chamada, certo? Não respondi. Isabella concordou consigo mesma e levantou.— Então é melhor que o deixe em paz e pare de incomodar por hoje. Se concordar, volto amanhã e começaremos. Recolheu seus escritos e sorriu timidamente. Correspondi concordando. Isabella saiu discretamente e desapareceu pelo corredor. Ouvi seus passos afastandose e, em seguida, o ruído da porta fechando. Em sua ausência, notei pela primeira vez o silêncio que assombrava aquela casa.