O joo do anjo Carlos Ruíz Zafón - O Jogo do Anjo | Página 145

PDL – P ROJETO D EMOCRATIZAÇÃO DA L EITURA — Não conheço. Nunca ouvi esse nome na minha vida. Acho que está sendo vítima de um golpe. O livreiro negou em silêncio. — Ela previu que diria exatamente isso. — Talentosa e adivinha. E o que mais ela disse? — Disse que suspeita que é melhor como escritor do que como pessoa. — Um anjo, essa Isabelita. — Posso mandar que o procure? Sem compromisso? Tive que me render e concordei. Sempere sorriu triunfante e quis selar o acordo com um abraço, mas escapuli antes que o velho livreiro pudesse completar sua missão de me transformar numa boa pessoa. — Não vai se arrepender, Martín — ainda ouvi quando saía porta afora. Ao chegar em casa encontrei o inspetor Víctor Grandes sentado num degrau do portão, saboreando calmamente um cigarro. Quando me viu, sorriu com aquele ar de galã da sessão da tarde, como se fosse um velho amigo numa visita de cortesia. Sentei a seu lado e ele estendeu a cigarreira aberta. Gitanes, reconheci. E aceitei. — E Cosme e Damião? — Marcos e Castelo não puderam vir. Um dedo-duro deu uma informação e eles foram recolher um velho conhecido em Pueblo Seco que provavelmente vai precisar de alguma persuasão para refrescar a memória. — Pobre diabo. — Mas se tivesse dito que vinha vê-lo, eles certamente dariam um jeito. Sua pessoa realmente caiu nas graças daqueles dois. — Amor à primeira vista, com certeza. E o que posso fazer pelo senhor, inspetor? Posso convidá-lo para um café lá em cima? — Não ousaria invadir sua intimidade, Sr. Martín. Na verdade, só queria lhe dar a notícia pessoalmente, antes que ficasse sabendo por outros meios. — Que notícia? — Escobillas morreu hoje no começo da tarde, no Hospital Clínico. — Meu Deus! Não sabia — disse. Grandes deu de ombros e continuou fumando em silêncio. — Era previsível. O que se há de fazer? — E conseguiu averiguar mais alguma coisa sobre as causas do incêndio? — perguntei.