O joo do anjo Carlos Ruíz Zafón - O Jogo do Anjo | Page 111
PDL – P ROJETO D EMOCRATIZAÇÃO
DA
L EITURA
— Titulozinho pretensioso, não? E vossa senhoria seria por acaso o autor?
— Temo que sim.
Isaac suspirou, negando com a cabeça.
— E o que mais escreveu?
— A Cidade dos Malditos, volumes um a vinte e cinco, entre outras coisas.
Isaac virou-se e sorriu, satisfeito.
— Ignatius B. Samson?
— Seu criado. E que Deus o tenha.
Foi então que o enigmático guardião parou e deixou a lamparina pousar no que
parecia ser um parapeito suspenso diante de uma grande abóbada. Levantei os olhos e
fiquei pasmo. Um colossal labirinto de pontes, passagens e estantes repletas de centenas
de milhares de livros se erguia, formando uma gigantesca biblioteca de perspectivas
impossíveis. Um emaranhado de túneis atravessava a imensa estrutura, que parecia subir
em espiral até uma grande cúpula de vidro, da qual se filtravam cortinas de luz e trevas.
Pude ver alguns vultos isolados que percorriam passarelas e escadarias ou examinavam
detidamente os corredores daquela catedral feita de livros e palavras. Não podia crer em
meus próprios olhos e fitei Isaac Monfort, atônito. Sorria como uma velha raposa que
saboreia seu truque predileto.
— Bem vindo ao Cemitério dos Livros Esquecidos, Ignatius B. Samson.