subversivas de Ouro Preto, onde plantaria a semente daquilo que poderíamos denominar por um comprometimento absoluto com a ideia do novo país que surgia( o que o processo de redemocratização recuperaria). No século 18, esta cidade convivia com uma vida cultural em que se destacavam a música( que ficaria conhecida por barroco mineiro), executada nas orquestras das irmandades, organismos de leigos que ocupavam o espaço institucional da Igreja Católica na região das minas de ouro; também a poesia, onde despontavam vultos como Cláudio Manoel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, contribuía para forjar a identidade nacional nascente; isso, para não nos referirmos à arquitetura e à escultura ou mesmo à pintura, com destaque para o maior artista do período colonial, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Na verdade, a religiosidade da cidade imprimia sua marca nos espaços de sociabilidade, à medida mesmo em que os acontecimentos religiosos periodizavam a vida social de Ouro Preto.
Assim, o trânsito de ideias fortalecia grupos com propostas de inovação e modernidade que se manifestavam na vida cotidiana. Os Inconfidentes, diga-se de passagem, participavam das irmandades e esse era o caso não só de Tiradentes, como ainda de Claudio Manoel da Costa e Antônio Gonzaga. Tudo se passava como se a cultura anunciasse o Brasil antes da edificação de um Estado nacional propriamente dito. Na Casa da Opera, fundada em 1770 e a primeira no Brasil a introduzir mulheres no elenco, reunia-se a sociedade local e, muitas vezes, os partidários do movimento independentista. Em outras palavras, a cultura saía na frente. Nesse sentido, todo um acúmulo de informações foi sendo organizado ao longo de décadas, a partir dos esforços dos estudantes brasileiros – mineiros, sobretudo – em estabelecimentos de ensino no exterior, como Coimbra e Montpellier. Ali, já se forjavam literatos, botânicos, matemáticos, mineralogistas, dicionaristas e químicos que se destacariam na passagem da Colônia para o Brasil independente. Ouro Preto é fruto de todo esse processo, que vai na realidade da tradição à modernidade.
No século 19, a cidade viu nascer as Escolas de Farmácia( 1839) 1 e de Minas( 1876), cujas contribuições para o país foram consideráveis. Santos Dumont, Pandiá Calógeras, Getúlio Vargas, Carlos Chagas, entre outros, foram alunos dessa Escola de Minas, o que não é pouco.
1 A primeira do Brasil desvinculada da Faculdade de Medicina.
Ouro Preto: cidade patrimônio na democratização
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