O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | Page 60

mas não conseguiu se reeleger pela antiga Arena, em 1966. Saiu do ostracismo, porém, em março de 1974, quando assumiu o Ministé- rio da Justiça no governo Geisel, no qual elaborou o projeto de lei para a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, que passou a vigorar no dia 15 de março de 1975. Falcão operou a tenta- tiva de institucionalização do regime militar, uma espécie de “mexicanização” do país, mas fracassou. Sua reforma do Poder Judiciário, que incluía os anteprojetos de reforma do Código Civil, do Código de Processo Penal e da Lei das Contravenções Penais, foi decretada pelo Executivo no auto- crático “Pacote de Abril”, após o fechamento do Congresso, que se recusou a aprová-la. No ano seguinte, porém, foi o autor da nova Lei de Segurança Nacional, que pôs fim às penas de morte, à prisão perpétua e ao banimento e restabeleceu o habeas corpus. Falcão se recusava a dar entrevistas com um bordão que se tornou famoso à época: “Nada a declarar!” Havia esperteza no silêncio de Falcão. Do ponto de vista institucional, ele fez o serviço sujo da chamada “distensão lenta, gradual e segura” de Geisel. Essa esperteza faltou ao novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, que assumiu o cargo por indicação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a missão de desmante- lar a força tarefa que investiga o escândalo da Petrobras. Acostu- mado a tomar decisões na alta burocracia, o novo ministro da Justiça não se deu conta de que seu cargo é político. A entrevista de Eugênio Aragão ao repórter Leandro Colon, da Folha de S.Paulo, foi um desastre. “A primeira atitude que tomo é: cheirou vazamento de investigação por um agente nosso, a equipe será trocada, toda. Cheirou. Eu não preciso ter prova. A PF está sob nossa supervisão. Se eu tiver um cheiro de vazamento, eu troco a equipe. Agora, quero também que, se a equipe disser ‘não fomos nós’, que me traga claros elementos de quem vazou porque aí vou ter de conversar com quem é de direito. Não é razoável, com o país num momento de quase conflagração, que os agentes apro- veitem esse momento delicado para colocar gasolina na fogueira”, disse o ministro. 56 O impeachment de Dilma Rousseff – Crônicas de uma queda anunciada