O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | Página 61

Investigações A reação não tardou. A Associação dos Delegados da Polícia Federal estuda a adoção de medidas judiciais e administrativas em caso de “qualquer arbitrariedade” que possa ser praticada pelo ministro. A ameaça de destituição do diretor-geral da PF, Leandro Daiello, reforçou a mobilização da instituição por autonomia orça- mentária, administrativa e funcional. O presidente da Associação, Carlos Eduardo Sobral, protestou: “A troca do diretor-geral implica a troca de todo o corpo diretivo e pode causar atraso nos processos administrativos e nas investigações criminais”. Cerca de 200 cargos de chefia na PF seriam substituídos, o que paralisaria as atividades investigativas. A oposição também reagiu. O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) protocolou um mandado de segurança no Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedindo que o novo ministro da Justiça seja impedido de transferir qualquer policial que atue nas investi- gações da Lava-Jato. Alega que as declarações de Eugênio Aragão demonstram a “vontade do governo federal de sufocar o anda- mento da operação”. O senador Álvaro Dias (PV-PR) protocolou, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, um reque- rimento de convocação do ministro da Justiça para que ele expli- que suas declarações dadas. “Para a remoção de delegado de polí- cia, nos termos da Lei nº 12.830/2013, o ato deve ser fundamentado e o fundamento não pode ser com base no “cheiro”, conforme declarou o ministro”, explica Álvaro Dias. Diante da repercussão, o Ministério da Justiça foi obrigado a divulgar uma nota na qual afirma que não há nenhuma decisão sobre a substituição do diretor-geral da PF. O novo ministro da Justiça foi obrigado a engolir a própria língua em menos de 48 horas. Reação palaciana: discurso e cargos 57