O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | Seite 59
porém, as especulações de mudança na equipe econômica e disse que
Lula tem compromisso com a estabilidade da moeda e o equilíbrio
fiscal. Negou também que se pretenda mexer nas reservas cambiais
do país para aumentar os investimentos do governo.
Nada garante que a indicação de Lula para o governo vá
salvar a presidente Dilma Rousseff do impeachment, mas a deci-
são do Supremo Tribunal Federal (STF) de ontem, rejeitando os
embargos de declaração apresentados pela Câmara dos Deputa-
dos, facilita sua atuação quanto ao controle da Comissão Especial
que apreciará o pedido e o monitoramento da votação, que será
aberta. Lula restabelece as pontes do governo com a ala governista
do PMDB no Senado, que passou a ter o poder de afastar ou não
Dilma Rousseff do cargo antes do julgamento do mérito do pedido.
Sob o comando direto de Lula, além de o governo recuperar
coesão interna e capacidade de iniciativa política no Congresso,
também aumenta o seu poder de pressão em relação aos tribunais, à
Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, sendo previsível um
recrudescimento da campanha petista contra a Operação Lava-Jato.
A crise econômica, porém, continua sendo a grande encruzilhada.
NADA A DECLARAR
(22 de março de 2016)
Ao contrário do novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão,
um petista sem carteirinha, o ex-ministro da Justiça Armando
Falcão (1919-2010) era um político profissional. Notabilizou-se
pelo Pacote de Abril de 1977, durante o governo do general Geisel,
que mudou as regras do jogo eleitoral e criou a figura do “senador
biônico” na vetusta Casa de Honório Hermeto Carneiro Leão (1801-
1856), o Marquês do Paraná, político, diplomata e magistrado
brasileiro a quem devemos a “política de conciliação” do Império.
Ex-deputado federal pelo Ceará, na legenda do Partido
Social Democrático (PSD), Falcão apoiou o golpe militar de 1964,
Reação palaciana: discurso e cargos
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