O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | Página 48

que o PT intensificava a mobilização de rua para intimidar os “coxi- nhas” que pretendem ir pra rua, numa espécie de pré-estreia do que o MST e outras organizações “militarizadas” que apoiam o governo prometem fazer para “resistir ao golpe”. A forma como a Polícia Rodoviária Federal e a Força Nacional atuaram na sexta-feira merece uma boa explicação do ministro da Justiça, Eugênio Aragão. Cortina de fumaça A Constituição está sendo respeitada. A narrativa do golpe de Estado sustentada pela presidente Dilma é uma grande cortina de fumaça para seus erros e três outros ingredientes da crise: o esquema de corrupção que operava nas entranhas do governo de forma sistemática e organizada, sob o comando do PT; a recessão da economia, que deve chegar a 3,8%, com generalizada redução da renda familiar; e a crise social, com desemprego em massa e degradação das condições de vida da população. O governo Dilma já não tem nenhuma chance de dar certo. Por que tantas pessoas bem-intencionadas, cultas e inteligentes se lançam às ruas para defendê-lo? Por que existe uma tal de ideolo- gia, que é sempre uma forma distorcida da realidade, sobretudo quando travestida de “verdade absoluta”. O discurso nacionalista e classista, que atribui a crise ao imperialismo e à luta de classes, ainda tem certa audiência, embora não tenha a menor possibilidade de produzir uma saída para a situação que o país enfrenta. Além disso, o simples fato de o vice- -presidente Michel Temer assumir o poder não é garantia de uma solução fácil para a crise. Ela não existe. O que pode existir é um governo mais competente e representativo para enfrentá-la. 44 O impeachment de Dilma Rousseff – Crônicas de uma queda anunciada