O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | Page 47

homem a homem, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com ajuda do ex-deputado Walfrido dos Mares Guia, um aliado de primeira hora, grande operador. Onde foi que a Dilma errou? Em quase tudo. Como disse aquela faxineira no Anhembi, no dia em que a presidente foi vaiada espontaneamente pela primeira vez: “tudo em que ela põe a mão dá errado”. No atacado, errou na concepção de governo, burocrá- tico-autoritária, e na “nova matriz econômica”, voluntarista por excelência. Mas também errou no varejo da operação política da base de governo e do pacto empresarial (agronegócio-indústria automobilística-empreiteiras) que herdou de Lula. Seu problema maior não era com a oposição, pois a presidente nunca gostou dos aliados que tem. Trombou também com os parceiros de negócios do Estado, porque achou que iria arbitrar suas taxas de lucro quando já não tinha autoridade para isso, por causa da roubalheira que fazia parte do pacote de sua candidatura em 2010. Dilma não é uma santa, muito menos uma coitadinha. Quando assumiu o poder, conhecia os “ralos” da administração. Como o ex-presidente Lula, sabia do que se tratava quando eclo- diu o caso de Pasadena, a refinaria do Texas comprada de forma fraudulenta. Tentou por todos os meios salvar as empreiteiras envolvidas no escândalo da Lava-Jato, mas não conseguiu “melar” as investigações, como gostaria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A presidente da República não faz autocrítica dos seus erros, talvez porque não os reconheça ou porque entraria em conflito com a base social que lhe restou: os movimentos sociais e círculos artísticos e intelectuais que ainda a defendem e fazem muito barulho contra o impeachment. Uma autocrítica verda- deira, no mínimo, dividiria esses setores, espalhando desânimo e decepção. É mais fácil demonizar a oposição, usando a desgas- tada imagem do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB- -RJ), que dispensa apresentações. Às vésperas da votação do impeachment, a disputa nos basti- dores do Congresso se tornou mais acirrada, ao mesmo tempo em Desmanche do governo 43