O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | Page 49
DILMA PERDEU A NOÇÃO
(21 de abril de 2016)
Seria ridículo, se a situação não fosse trágica. A viagem da
presidente Dilma Rousseff hoje para a assembleia da Organização
das Nações Unidas (ONU), em Nova York, com o objetivo de utilizar
a cerimônia de assinatura do Acordo sobre o Clima, celebrado em
Paris no ano passado, para denunciar a suposta existência de um
golpe de Estado em curso no país será um vexame mundial. Há duas
semanas, o Palácio do Planalto realiza um intenso trabalho de divul-
gação internacional dessa versão sobre o pedido de impeachment
em tramitação no Congresso, para influenciar a opinião pública
mundial, seja por meio dos correspondentes estrangeiros, seja
mobilizando diplomatas e representantes petistas no exterior.
Dilma pretende fazer um discurso de cinco minutos diante
dos demais chefes de Estado, no qual repetirá o mantra de que não
existe crime de responsabilidade para a aprovação do seu impeach-
ment pelo Congresso e de que a democracia brasileira está amea-
çada, o que é falso. A narrativa obteve certa repercussão interna-
cional porque é difícil mesmo entender o funcionamento das
nossas instituições políticas. O Congresso Nacional exerce suas
prerrogativas, conforme rito definido pelo Supremo Tribunal Fede-
ral, cujo presidente, Ricardo Lewandowski, presidirá o julgamento
do impeachment no Senado. A versão de “golpe parlamentar”,
mesmo assim, será reforçada junto aos principais líderes mundiais,
como o presidente norte-americano, Barack Obama, e a primeira-
-ministra alemã, Angela Merkel.
Ironicamente, quem assumirá a Presidência durante a
viagem será o vice Michel Temer, que Dilma acusa de golpista e
traidor, o que torna a situação ainda mais ridícula, pra não dizer
kafkiana. É tão sem sentido que o vice-presidente pretende perma-
necer em São Paulo, para não fazer um mise-en-scène, no mínimo,
constrangedor. Essa pantomima, que desmoraliza o Brasil exter-
namente, porém, joga por terra o discurso petista de que a mobili-
zação popular contra o governo, que foi iniciada nas manifestações
Desmanche do governo
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