O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | Seite 34
Judicialização
Na verdade, soberana é a Constituição. A Câmara representa
a totalidade dos eleitores, pois as bancadas dos partidos corres-
pondem aos votos recebidos pela situação e pela oposição. Nesse
aspecto, é mais representativa até do que o Senado e a Presidência.
Entretanto, os deputados apenas aceitam o pedido; quem julgará o
impeachment serão os senadores. O julgamento por crime de
responsabilidade é prerrogativa do Congresso e não do Supremo
Tribunal Federal, a quem cabe apenas zelar pelo respeito às regras
do jogo. Trocando em miúdos, o julgamento é político, como deixou
claro ontem o ministro do STF, Luís Roberto Barroso.
Mesmo assim, a narrativa de Dilma Rousseff insiste na tese
do golpe, numa estratégia de resistência que busca deslocar o eixo
da discussão de sua responsabilidade na crise tríplice de seu
governo – recessão e desemprego, desarticulação da base e Lava-
-Jato – para a defesa da democracia. Esta é uma aposta na “judi-
cialização” do impeachment, no pressuposto de que a maioria dos
ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) venha a anular
eventual decisão do Congresso. É mais sensato o Palácio do
Planalto apostar na política e tentar manter o que ainda resta de
deputados na sua base para barrar o impeachment na Câmara. A
não ser que a narrativa seja um estratagema do ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva para sobreviver na oposição, diante da débâcle
do governo Dilma.
RENÚNCIA COM ESTILO
(30 de março de 2016)
A decisão do PMDB de deixar o governo, tomada ontem,
numa reunião que durou apenas três minutos, pôs um ponto final
no casamento de conveniência da legenda com o PT, que durou 12
anos. Foi o sinal para que as demais legendas da coalizão de
governo iniciassem um movimento semelhante, como é o caso do
PP, do PTB e do PR. A situação mais esquizofrênica é a do PSD,
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O impeachment de Dilma Rousseff – Crônicas de uma queda anunciada