O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | Página 33

base legal para aprovação do impeachment, ou seja, a narrativa do golpismo é furada.
O desespero é ainda maior porque o PMDB deve desembarcar do governo de forma lenta, gradual e segura, até a votação do impeachment pela Câmara, a partir da reunião de seu Diretório Nacional de hoje. Ontem, o ministro do Turismo, Luiz Eduardo Henrique Alves, aliado de primeira hora do vice-presidente Michel Temer, entregou sua carta de demissão. A situação da ministra da Agricultura, Kátia Abreu, amiga de Dilma, no mundo do agronegócio, está ficando insustentável. Sua liderança sofre desgaste. Quem mais resiste ao desembarque, porém, é o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga. Na reunião de hoje, a tendência do PMDB é aprovar a saída do governo e dar um prazo confortável para que a ala governista fique nos cargos até a hora da onça beber água.
Mas voltemos à narrativa petista. O processo de impeachment é previsto na Constituição da República. O rito estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal( STF) para sua aplicação está sendo cumprido à risca pelo presidente da Comissão Especial, Rogério Rosso( PSD-DF), que, ontem, conversou com o presidente do Supremo, ministro Ricardo Lewandowski, para dirimir eventuais dúvidas quanto ao processo. Para cassar Dilma, a Câmara precisa enquadrá-la no dispositivo constitucional que define os crimes de responsabilidade, previstos numa lei de 1950 e na Constituição de 1988. A lei é genérica quanto ao mérito, a Constituição é rigorosa quanto à competência do Congresso para julgar.
A narrativa de Dilma Rousseff contra o impeachment se baseia em três argumentos: primeiro, de que exerce um mandato popular soberano; segundo, as pedaladas fiscais não seriam motivos suficientes para configurar o crime de responsabilidade; terceiro, o Congresso não teria legitimidade para cassar seu mandato, ainda mais porque o impeachment foi aberto pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha( PMDB-RJ), cuja cassação de mandado foi pedida ao STF por envolvimento na Operação Lava-Jato.
Desmanche do governo
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