O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | Seite 32
presidente da República em 2018, que começa a fazer água por
causa do desgaste do governo.
Caso se confirme a entrada de Lula no governo Dilma, a oposi-
ção estará diante de um adversário mais competente e popular do que
a presidente, disposto a dar uma guinada populista aos rumos do
governo para neutralizar os efeitos da crise econômica junto aos elei-
tores de baixa renda, que começam a ser contaminados pela insatis-
fação da classe média. Essa mudança levará a radicalização política a
um novo patamar, mas não há garantia de que isso vá resolver a crise
econômica. Muito menos barrar a Operação Lava-Jato.
A NARRATIVA DO GOLPE
(29 de março de 2016)
A Câmara Federal foi palco ontem de uma manifestação de
advogados ligados ao PT e aos réus da Lava-Jato contra a entrada
de um pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, feito
pela Ordem dos Advogados do Brasil, aprovado pelo Conselho da
entidade, por ampla maioria. Atos dessa natureza tendem a se
reproduzir, ao lado de manifestos de entidades controladas pelos
petistas. O PT pretende realizar manifestações, por todo o país, no
próximo dia 31 de março, contra o impeachment e a Lava-Jato.
O slogan governista é “Não vai ter golpe!”. A data é uma alusão ao
golpe militar de 1964, que destituiu o presidente João Goulart,
comparação emblemática para a narrativa.
Ontem, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu
entrevista coletiva a correspondentes estrangeiros e reforçou a
tese de que está em curso um golpe de Estado no Brasil, a mesma
ladainha da presidente Dilma Rousseff na entrevista à mídia inter-
nacional da semana passada. Há um certo desespero nessa agita-
ção. No Palácio do Planalto, a avaliação é de que o governo conta
com 25 votos entre os 65 deputados da comissão especial encarre-
gada de apreciar o pedido e encaminhá-lo ao plenário para vota-
ção. O posicionamento da OAB lança por terra a tese de que não há
28
O impeachment de Dilma Rousseff – Crônicas de uma queda anunciada