O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | Page 31
tica do governo seria a única alternativa para evitar esse desfecho
imediato da crise. “Se Lula vier, ele vai seguramente cuidar do que
mais conhece, que é política”, disse Wagner. Segundo o ministro,
“todo mundo quer que ele venha”.
Rainha da Inglaterra
Esse “todo mundo” significa que a presidente Dilma prefere
entregar seu governo para Lula do que ao vice-presidente Michel
Temer. É uma espécie de renúncia velada aos poderes da Presidên-
cia: Dilma passaria a desempenhar o papel de Rainha da Ingla-
terra, pois os demais ministros passarão a seguir a orientação de
Lula até por gravidade. Tudo indica que Lula aceitará o cargo
durante conversa com Dilma prevista para hoje. É uma aposta
válida para ambos, porque tanto um quanto o outro estão encurra-
lados, embora o ex-presidente tenha mais a ganhar do que a perder.
A dúvida de Lula quanto aceitar ou não um cargo no governo
decorria da decisão a ser tomada pela juíza Maria Priscilla Ernan-
des Veiga em relação ao seu pedido de prisão apresentado pelo
Ministério Público de São Paulo. Ela resolveu remeter o processo
para o juiz federal Sérgio Moro, de Curitiba. Segundo a juíza
paulista, os crimes denunciados são federais e não estaduais, há
uma investigação em curso sobre eles na Justiça Federal e caberia
a Moro desmembrar o processo, caso entenda que algum crime
seja de âmbito estadual. Lula quer ver o diabo na frente, mas não
quer ser julgado por Moro.
Não foi à toa que Wagner, durante a entrevista, usou e abusou
de expressões que fazem alusão ao juiz federal. Disse que “tem
gente babando sangue” na busca de atingir o petista e que “Lula
virou um troféu”. Além de salvar a presidente da República do
impeachment, a entrada da maior estrela petista no governo traria
dois benefícios: o primeiro é restabelecer o foro privilegiado do
ex-presidente da República, o que faria com que seu processo
saísse da alçada de Moro; o segundo, alavancar sua candidatura a
Desmanche do governo
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