O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | Seite 35
cujo presidente, o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, liberou a
bancada para votar como quiser e permanece no ministério, numa
das pastas mais importantes.
Hoje, a expectativa de poder já gravita em torno do anexo do
Palácio do Planalto, onde fica o gabinete do vice-presidente Michel
Temer. A essa altura do campeonato, o baixo clero da base do
governo na Câmara já fez a baldeação para o impeachment, à reve-
lia ou com apoio tácito de seus líderes. Dilma conta de verdade
com o PT, enquanto for conveniente para o ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, e com o PCdoB, que estreita sua relação com
a presidente da República para ocupar mais espaços na Esplanada.
O PDT ainda apoia Dilma, mas já tem seu próprio projeto: Ciro
Gomes. A estratégia do Palácio do Planalto de distribuir os cargos
ocupados pelo PMDB entre os pequenos partidos é de eficácia
duvidosa. Temer pode trucar e prometer os cargos atualmente
ocupados pelos petistas àqueles que apoiarem o impeachment.
Entre os partidos de esquerda, o PPS forma na primeira fila
dos defensores do impeachment – ao lado do PSDB, do DEM e do
Solidariedade – desde quando a proposta parecia inviável e sem
apoio popular. O PSB recentemente decidiu apoiar o impeachment,
sem subterfúgios, após se afastar definitivamente do governo. O
primeiro deve apoiar o governo de transição de Michel Temer, talvez
até dele fazer parte, se o vice assumir de fato. O segundo tende a se
manter à distância regulamentar e tentar articular uma coalizão
com Marina Silva, cujo partido – a Rede – deve se abster na votação
do impeachment. A mesma posição é adotada pelo PSol, que se opõe
ao impedimento com certa estridência e, por isso, é acusado de linha
auxiliar do PT pelos demais partidos de oposição.
Parlamentares do PT, PSB, PSol, Rede e até do PPS, porém,
articulam uma proposta de acordo para antecipação das eleições,
por meio de emenda constitucional, em troca da não-aprovação do
impeachment de Dilma Rousseff. Marina Silva seria a maior bene-
ficiária da redução do mandato de Dilma e acompanha as conver-
sas por meio do líder da bancada, Alessandro Molon (RJ), sem se
comprometer com a proposta.
Desmanche do governo
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