O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | Seite 26
também atribuiu ao Senado o poder de anular a admissibilidade
do pedido, caso venha a ser aprovada pela Câmara, que perdeu a
prerrogativa de afastar Dilma interinamente, até que o julgamento
do impeachment fosse concluído pelo Senado.
Esta parecia ser uma sábia decisão, pois afastava do hori-
zonte um cenário de radicalização política. Naquele momento,
como agora, a presidente Dilma Rousseff acusava a oposição de
impedi-la de governar e de dividir o país. Imaginava-se que o
impeachment agravaria a crise econômica e social. A decisão do
Supremo parecia sepultar o pedido da oposição, ainda mais porque
a presença do deputado Eduardo Cunha, no comando da Câmara,
desgastava a proposta perante a opinião pública.
Entretanto, depois da decisão do STF, a presidente da
República continuou a tomar decisões erráticas e a crise econô-
mica se agravou. A Operação Lava-Jato ganhou proporções ainda
maiores e a radicalização política, protagonizada pelo PT, subiu
alguns degraus. Para completar, Dilma tomou as dores do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e passou a atacar a força-
-tarefa da Operação Lava-Jato e o juiz federal Sérgio Moro, de
Curitiba, numa tentativa de barrar a investigação criminal que
apura o escândalo da Petrobras.
Caso o rito do impeachment tivesse seguido o regimento da
Câmara, o assunto já estaria resolvido, com uma provável vitória
do governo, pois a oposição não tinha votos suficientes para
aprová-lo naquele momento. Tal resultado reduziria o nível de
incertezas políticas, pois restaria à oposição afiar as espadas para
as eleições municipais e a sucessão de Dilma em 2018. O imponde-
rável seria apenas o julgamento do pedido de cassação da chapa
Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por abuso de
poder econômico durante a campanha de 2010.
Eis, porém, que o impeachment da presidente Dilma Rousseff
voltou à pauta com toda força. Foi inflado pela prisão do marque-
teiro João Santana, responsável pela campanha eleitoral da presi-
dente Dilma Rousseff, em 2014, e pela iminente delação premiada
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O impeachment de Dilma Rousseff – Crônicas de uma queda anunciada