O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | Página 27

do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), ex-líder do governo no Senado. A condução coercitiva do ex-presidente Lula para depor como suspeito na Lava-Jato politizou de vez a Operação. Manifes- tações contra e a favor do governo estão sendo convocadas para o próximo domingo. A Comissão do Impeachment na Câmara, porém, ainda aguarda julgamento dos embargos de declaração apresentados pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Com a publicação do acórdão, a tendência é que o julgamento aconteça nas próximas duas semanas. Sendo assim, a Comissão Especial da Câmara será instalada no final de abril. Provavelmente, a Câmara votará o pedido em maio. Se for aprovado, seguirá para o Senado. Se os senadores optarem pelo arquivamento, o processo será encerrado até o final de maio, mas, diante da situação da economia e do ambiente político, o Senado pode aceitar o pedido. Nesse caso, a presidente Dilma teria que se licenciar por 180 dias. Michel Temer assumiria interinamente a Presidência. Entre julho e agosto, Dilma estaria afastada. Poderia apelar novamente ao Supremo para adiar a conclusão do julgamento no Senado para outubro ou novembro. Ninguém sabe o que vai acontecer até lá. DILMA PODE VIRAR SUCO (10 de março de 2016) A incursão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília, para um jantar com a presidente Dilma Rousseff, na noite de terça-feira, no Palácio da Alvorada, e uma reunião na residência do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ontem pela manhã, com 25 senadores, enfraqueceu ainda mais o atual governo. Deixou um rastro de especulações de que assumirá a arti- culação política do governo, tese defendida pelo secretário-geral da Presidência, Ricardo Berzoini, o que faria da presidente da República uma espécie de boneca de ventríloquo. Desmanche do governo 23