Terapia Aplicada Caderno científico [ IMPLANTE ]
A principal vantagem do uso do balão seria a utilização de forças que não provocam a dilaceração da membrana e, consequentemente, sua perfuração. Além disso, reduz o tempo cirúrgico, riscos de sangramento e oferece baixo índice de infecção. Em 2005, autores 23 apresentaram uma técnica em que a pressão hidráulica seria exercida pelo próprio coágulo sanguíneo originado no momento da criação de um pistão ósseo com o uso de trefinas. A consecução de elevar a membrana por meio dessa pressão evitaria o contato direto de instrumentos rígidos com a membrana e, consequentemente, a perfuração acidental.
Comparando a pressão pneumática com a hidrodinâmica, e utilizando um aparelho cirúrgico ultrassônico( Piezotome, Acteon – Bordeaux, França), autores 24 realizaram um experimento em animais, no qual levantaram a membrana por um acesso de 3 mm de diâmetro. Eles constataram que a pressão inicial capaz de iniciar o descolamento da membrana era menor quando se utilizava o líquido, fato que pode ser explicado pela compressibilidade dos gases versus a incompressibilidade dos líquidos. Assim, referiram as forças uniformes e não dilacerantes dos líquidos como fator principal para a ausência de perfurações e hipotetizaram que as ondas promovidas pelo ultrassom permitiriam um“ tempo de relaxamento” entre os picos de pressão,“ saltando” as cristas ósseas no interior do seio maxilar. Também compararam diferentes volumes de inserção em variados tempos, verificando ser mais significativo o tempo de aplicação do que propriamente a razão de fluxo, visto que um alto fluxo inicial aumentaria os riscos de perfuração da membrana.
Estudos mais recentes relataram que tanto a técnica por acesso lateral utilizando-se o balão quanto o levantamento via crista de Summers realizam forças de dilaceração enquanto se realiza a elevação da membrana 23, 25. A solução alternativa consistiria na aplicação de solução salina para levantamento do assoalho do seio, durante cinco segundos, na razão de 30 ml / min., obtendo 2,5 cc por meio de elevação hidrodinâmica ultrassônica, cujo processo básico nada mais é do que a pressão de um líquido. O descolamento e levantamento da membrana de Schneider por pressão hidráulica podem ser explicados pela Lei de Pascal, que é um princípio elaborado pelo físico, filósofo e matemático francês Blaise Pascal. Essa lei estabelece que a alteração de pressão produzida em um fluido em equilíbrio transmite-se integralmente a todos os pontos e em todas as direções. Portanto, a pressão de fluidos diretamente sob a membrana não exerce forças de dilaceração e reduzem drasticamente os riscos de perfuração.
Os mecanismos biológicos de regeneração óssea subantral ainda são foco de discussões científicas controversas. Enquanto nos anos 1980 e 1990 a discussão acerca do material inserido era focada no osso autógeno, as pesquisas se voltaram para materiais de enxerto sintéticos, alogênicos e xenogênicos. Nos últimos anos, intensificaram-se as pesquisas em torno da hidroxiapatita bovina, em especial do uso do Bio-Oss( Geistlich). Os trabalhos de histomorfometria com controle de seis meses demonstraram cerca de 28 % de formação de osso, 44 % de tecido conjuntivo e 28 % de partículas residuais em dez anos, 86,7 % de formação de osso 26. Embora o osso autógeno apresente, no mesmo período, até 60 % de formação de novo osso( sendo 80 % com característica lamelar) e 40 % de tecido conjuntivo, a alta e imprevisível taxa de reabsorção, a morbidade relacionada ao sítio doador, além da dificuldade de visualização por meio de radiografias para confirmação da formação do osso, e planejamento de etapas subsequentes, tornam sua indicação mais restrita a levantamentos extensos e seios maxilares mais largos, combinando-o com biomateriais radiopacos e de lenta reabsorção. Nesse sentido, seria indicado uma mistura de osso autógeno e xenógeno( Bio-Oss) sob a membrana, procurando manter o volume obtido com a elevação, evitar a reabsorção do osso autógeno e criar um osso mais denso comparado com o osso nativo adjacente, de baixa densidade, normalmente encontrado na região posterior de maxila 23. Os substitutos ósseos sintéticos derivados quimicamente, como o beta-tricálcio fosfato( β-TCP – Cerasorb Curasan AG GmbH – Kleinostheim, Alemanha), utilizado em levantamentos de seio, demonstram cerca de 29 % de formação de novo osso em seis meses, em análises histomorfométricas. Sua razão de reabsorção gira em torno de 32-43 % nesse mesmo período 26. Se comparado ao osso bovino, o beta-tricálcio fosfato possui um período de cicatrização mais curto e uma taxa de reabsorção mais rápida, e tem se mostrado eficiente na manutenção da membrana elevada no período de cicatrização em casos de levantamentos de seio via crista 27, justificando o curto período para a reabertura e fornecimento de carga funcional ao implante instalado
INPerio 2017; 2( 1): 81-9
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