Wakasa ME | Hayashi F | Cirano F | Boaro MJ | Gordiano G | Kwon K
DISCUSSÃO
Autores apresentaram um método que consistia em
uma abordagem crestal do seio maxilar 4 . Nesta técnica, a
partir da criação de uma osteotomia cilíndrica por meio
de fresas e osteótomos, uma fratura é criada no assoalho
do seio maxilar para que a membrana seja elevada.
O implante é instalado avançando para o interior da cavidade
sinusal, mantendo a membrana suspensa como uma tenda.
Posteriormente, a técnica foi complementada com a inserção
de material de enxerto sob a membrana, criando um levan-
tamento de 3 mm a 4 mm de altura. Comparada à técnica
de abertura de janela lateral, ela possui como vantagens:
simplicidade, evitando um segundo local cirúrgico para que se
faça o descolamento da membrana; menor tempo cirúrgico;
menor morbidade; menor custo; e resulta em mínimos
sintomas pós-cirúrgicos. Como desvantagens, destacam-se:
quantidade limitada de aumento, devido à característica de
pouca elasticidade da membrana 11 ; dificuldade de se avaliar
uma possível perfuração da membrana; e o risco de acometer
o paciente a uma concussão benigna 6 .
Um estudo recente 12 comparou três técnicas de
levantamento via crestal, utilizando como grupo-controle
membranas levantadas pela técnica de Summers, em
cadáveres. Os resultados demonstraram que a percepção
de uma possível perfuração é influenciada pela experiência
do operador, por meio de sondas milimetradas com
pontas de domo, durante o acesso ao antro. Uma obser-
vação interessante foi a identificação da maior parte das
perfurações no momento da instalação do implante. Para
os autores, para detectar essas perfurações com mais
precisão que uma radiografia periapical ou uma tomografia,
é necessário um nasoendoscópio.
Uma observação importante para qualquer técnica
de elevação de seio é o fato da membrana de Schneider
ter pouca elasticidade 11 . Devido a esta característica, para
levantá-la de forma substancial sem que ela se rasgue, é
necessário que a mesma seja descolada das paredes e do
assoalho do seio maxilar. Dessa maneira, quanto maior o
descolamento, maior será a possibilidade de elevação em
sentido apical. Na técnica de Summers, essa ocorrência
possivelmente é limitada porque seu princípio se apoia
mais no estiramento do que propriamente no descola-
mento da membrana.
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INPerio 2017;2(1):81-9
Embora alguns estudos demonstrem que a perfuração
da membrana de Schneider não influencia na sobrevida
dos implantes 9 , outros indicam um maior índice de
complicações relacionadas a esse incidente, como sinusites
crônicas e agudas, edema, sangramento, deiscência de
sutura, perda de material de enxerto, interrupção da
função fisiológica do seio 10,13 e uma associação direta
com a perda de implantes 14 . Em um estudo 15 buscando
reduzir os riscos de perfuração e alcançar uma elevação
maior, aproximando-se do resultado obtido com a técnica
de acesso lateral, utilizou-se o método de fratura do
assoalho do seio maxilar como na técnica de Summers,
mas com descolamento e elevação da membrana de
Schneider através da injeção de solução salina por meio
de uma seringa plástica, de forma lenta e contínua. Foram
administrados 3 ml de solução salina para a elevação e,
em seguida, introduzido o material de enxerto autógeno
ou uma combinação com alógeno. Após a instalação do
implante, radiografias e tomografias foram realizadas para
confirmar a integridade da membrana. A média de altura
de osso residual inicial foi de 4 mm, e a média de ganho
foi de 6 mm, sem que ocorressem perfurações.
Comparativamente, a taxa de perfuração na técnica
transcrestal por osteótomos é menor (0-21%) 16 , se
comparada com a abordagem via parede lateral (7-58%) 12 .
Os estudos relacionados ao levantamento transcrestal
por meio hidrodinâmico apontam taxas de perfuração
inferiores (2,3% a 2,9%) 17 . Um estudo 18 teve 2,9% de
perfurações em 66 casos de levantamento de seio via
crestal utilizando um sistema de fresas e um injetor de
solução salina. Para os autores, tais perfurações resultaram
de uma inflamação sinusal prévia e da excessiva aplicação
de pressão hidráulica.
Vários estudos procuraram reduzir os riscos de perfu-
ração, tanto no acesso ao seio maxilar como durante o
descolamento da membrana 19-20 . A técnica do balão hemos-
tático nasal foi introduzida em 2003 21 e, posteriormente,
detalhada em 2005 22 . Inicialmente, ela foi indicada para
casos entre dentes adjacentes, quando existe dificuldade
de acesso. Cerca de 2 ml a 3 ml de solução salina são intro-
duzidos para inflar o balão após um acesso e descolamento
inicial convencionais através da parede lateral do seio.