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de Melo Filho AB | Ferreira CL | Pedroso JF | Santamaria MP | Jardini MAN
O levantamento do seio maxilar é o método mais utilizado para aumentar a altura do osso alveolar na região posterior da maxila 1, sendo previsível, com altas taxas de sobrevivência de implantes e baixos índices de complicações cirúrgicas 2-3. Os resultados obtidos com esta técnica têm sido relatados em revisões sistemáticas recentemente publicadas 4-6.
INTRODUÇÃO
O levantamento do seio maxilar é o método mais utilizado para aumentar a altura do osso alveolar na região posterior da maxila 1, sendo previsível, com altas taxas de sobrevivência de implantes e baixos índices de complicações cirúrgicas 2-3. Os resultados obtidos com esta técnica têm sido relatados em revisões sistemáticas recentemente publicadas 4-6.
O osso autógeno ainda é considerado o padrão-ouro para o tratamento de defeitos ósseos e para situações de perda óssea. Alguns estudos relatam sucesso de implantes inseridos em regiões onde houve levantamento de seio maxilar preenchido com osso autógeno 7-9. O osso autógeno combina propriedades osteocondutoras e osteoindutoras, e possíveis complicações imunológicas podem ser evitadas. Entretanto, o enxerto autógeno está associado à morbidade, perda óssea no sítio doador e reabsorção imprevisível 8, 10-11. Outro obstáculo é a quantidade limitada de material disponível. Desta forma, a utilização de osso xenógeno em substituição ao autógeno tem sido discutida 1, 12. Os enxertos xenógenos podem ser utilizados com resultados clínicos previsíveis e taxas de sobrevivência de implantes equivalentes ao enxerto ósseo autógeno, em um período de acompanhamento de cinco anos 12. Além disso, o enxerto xenógeno mostra estabilidade quando se trata do volume ósseo, após levantamento do seio maxilar, com taxa de sobrevivência de implantes de até 100 % 13.
Atualmente, o procedimento de levantamento de seio maxilar está bem definido e é previsível, permitindo a colocação de implantes dentários na maxila posterior quando a altura do rebordo alveolar é limitada.
No entanto, a anatomia do seio maxilar pode sofrer modificações com a idade, perda de elementos dentários( pneumatização) ou presença de septos, fatores estes que podem ser limitantes para esta técnica cirúrgica invasiva 14. A sequela de uma comunicação bucosinusal, descrita como uma ligação entre a cavidade oral e o seio maxilar, em função da exodontia de dentes superiores posteriores devido à sua proximidade com o seio maxilar, também pode limitar este procedimento.
Comunicações bucosinusais menores do que 2 mm de diâmetro, normalmente, regridem espontaneamente quando há estabilização do coágulo no local da extração. Quando a comunicação for igual ou maior do que 3 mm de diâmetro, deve-se realizar um procedimento cirúrgico para fechamento utilizando um retalho deslocado, porém, esse tipo de tratamento pode provocar perda da profundidade do sulco vestibular e diminuição da gengiva inserida quando realizado por vestibular, limitando a movimentação na região. O retalho palatino apresenta como vantagem uma maior espessura e irrigação, fornecendo um retalho com tamanho e mobilidade suficientes. No entanto, gera desconforto e dor na região de tecido ósseo exposto, além de aumentar o risco de infecção 15.
Uma das principais deficiências do tratamento da comunicação bucosinusal com cobertura por tecidos moles é uma possível fusão da membrana da mucosa bucal e do seio maxilar, o que aumentaria o risco de rompimento desta membrana durante a cirurgia de levantamento de seio maxilar. Os métodos para tratar a comunicação bucosinusal resultam em um vestíbulo com menor dimensão ocluso-apical e uma remodelação óssea anormal no local do defeito, sendo consequências que limitam ou impossibilitam a instalação de implantes 9.
Portanto, o objetivo desse trabalho foi mostrar o sucesso de um procedimento de elevação do seio maxilar com a utilização de enxerto ósseo xenógeno e posterior colocação de implantes em uma região com comunicação bucosinusal prévia.
TERAPIA APLICADA
Uma paciente do sexo feminino, com 57 anos de idade, procurou o consultório particular queixando-se dos elementos 16 e 17. Ao exame clínico, a paciente apresentava fratura longitudinal no dente 16 e grande perda óssea no dente 17, sendo indicada a exodontia de ambos( Figura 1).
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INPerio 2017; 2( 1): 71-8