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MOÇAMBIQUE
( In) Formar: Empoderamento e reinserção de raparigas na vida ativa.
Milton da Costa, Nampula
As jovens moçambicanas, após concluírem a 12.ª classe, enfrentam desafios significativos para dar continuidade aos estudos e aceder ao mercado de trabalho, devido a barreiras financeiras e à falta de oportunidades de formação profissional, vocacional e de ensino superior.
A esta realidade somam-se, na zona rural, a falta de apoio familiar e questões culturais profundamente enraizadas, que perpetuam crenças, segundo as quais a mulher não precisa de se formar, nem de ter uma carreira profissional, limitando assim o seu potencial de autonomia e desenvolvimento.
O projeto‘( In) Formar – Programa de formação e informação a raparigas para reinserção num percurso vida de ativa, após a conclusão do ensino secundário em Maputo e Nampula, surge para combater esta realidade: visa desenhar e implementar um modelo de empoderamento de jovens mulheres com a 12.ª classe concluída, para o acesso à vida ativa. Em 2025, 200 jovens serão apoiadas; e, em 2026, outras 200 beneficiarão das intervenções do projeto, permitindo-lhes sair da inatividade e construir um futuro. Numa conversa informal, em Natoa, zona rural de Nampula, as irmãs Ercília Fernando, de 24 anos, e Isaura Fernando, de 26, beneficiárias do projeto, partilharam as suas perspetivas:
“ Temos várias expectativas. O projeto pode apoiar o nosso autoemprego, ou formação, fazer um curso de pequena duração: é isso que esperamos.”
“ Vai ajudar-nos muito, pois éramos meninas desocupadas. Terminámos a 12.ª classe e ficámos em casa com os nossos certificados. Agora, sentimo-nos livres, felizes, à vontade e ocupadas. É tudo o que queríamos.”
Ercília partilhou ainda um exemplo pessoal:“ Na minha casa, o meu pai discriminou as meninas:‘ vou apoiar mais os meus filhos, porque o serviço da mulher é engravidar e cuidar do lar; não têm um futuro brilhante e próspero, por isso apoio mais os rapazes’.” Isaura acrescentou:“ Tínhamos mais apoio da nossa mãe, do que do nosso pai.”“ Agora, este projeto está a mostrar-nos que o serviço da mulher não é só cuidar do lar. A mulher também é capaz